domingo, 27 de maio de 2018
Cinema
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Documentário de Wills Leal mostra a cidade que ‘gritou’ sua existência

André Luiz Maia / 27 de Abril de 2018
Foto: Divulgação
O pequeno município de Coxixola, no cariri ocidental paraibano, ganhou do cineasta e historiador Wills Leal um registro documental de sua evolução ao longo da última década. Coxixola, Sim, Senhor é fruto de um esforço pessoal do paraibano que se viu fascinado pelas peculiaridades daquela cidade. Hoje, o filme ganha uma exibição pública gratuita para os moradores.

Hoje com quase 2 mil habitantes, o local era inicialmente um distrito de São João do Cariri e depois de Serra Branca, a partir de 1960. Sua emancipação veio em 29 de abril de 1994, quando adquiriu de fato o status de cidade. No entanto, por seu tamanho e nome curioso, começou a ser tratada como chacota, sendo sinônimo de um local isolado e afastado.

Esta fama incomodou Wills. “Eu realmente ficava chateado, pois tenho lembranças de quando era pequeno daquela região. Sou de Serra Branca, minha mãe me levava bastante para lá e guardo boas lembranças. Quis criar esse filme para mostrar as belezas e o potencial incrível de Coxixola, que hoje ganha o status de cidade-modelo, por seu avanço e sua qualidade de vida”, argumenta o cineasta.

Esse tipo de comentário motivou moradores da cidade a construírem um totem, em uma das entradas da cidade, com os dizeres “Coxixola existe, é aqui”. Wills Leal lembra que essa atitude, inclusive, foi digna de cobertura nacional. “Lembro que a chegou a ser veiculada uma matéria sobre isso para todo o Brasil. Com o tempo, a cidade ganhou a alcunha de ‘pequena notável’, estampada em uma das entradas da cidade”, arremata.

Uma das possíveis origens do nome Coxixola é o termo do tupi-guarani Cochicholo, usado para definir o ato de fazer uma casa pequena de tijolos. Coxixola, Sim, Senhor foi uma pequena construção, feita paulatinamente ao longo dos anos, um tijolo de cada vez. “Visitei a cidade 16 vezes para fazer esse filme. Fui gravando alguns depoimentos, buscando entender a necessidade daquele povo em reafirmar sua existência enquanto gente. No fim das contas, foi um trabalho antropológico e sociológico feito através do cinema”, explica.

A obra conta com um texto declamado pela atriz Zezita Matos, intitulado Proclamação de Coxixola, que abre a produção. Além dos moradores da própria cidade, nomes como Sérgio de Castro Pinto, Escurinho, Lúcio Vilar, Abelardo Jurema e Ceres Leão comentam sobre as belezas da cidade.

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