domingo, 20 de maio de 2018
Violência
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Violência tira R$ 2,7 bi da Paraíba por ano

Érico Fabres / 25 de setembro de 2016
Foto: ILUSTRAÇÃO
No Brasil, a morte de jovens cresce em marcha acelerada desde os anos 1980. De acordo com Daniel Ricardo de Castro Cerqueira, diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o custo da violência no País chega a R$ 299 bilhões por ano. A média anual apenas com homicídios é de R$ 150 bilhões, com perda de capital humano (morrem de forma prematura e deixam de produzir e de consumir). Com uma participação de 0,9% no PIB Nacional, em cálculos simples, no Estado esse déficit seria de R$ 2,7 bilhões, porém ele afirma que não é tão simples. “Existem vários fatores que influenciam, como a raça, estudo e condição socioeconômica”, conta.

A situação se torna ainda mais preocupante visto que a Paraíba possui 74,1 mil crianças e jovens fora da escola (8,3%) de acordo com o Todos pela Educação, o que os deixa mais vulneráveis a pender para o lado das drogas e violência (de acordo com o Ipea, a cada 1% de alunos entre 15-17 anos matriculados na escola, existe uma diminuição de 2% no número de homicídios entre pessoas desta faixa etária); é a sexta Unidade mais pobre da Federação (53,6% da população de acordo com o Atlas de Desenvolvimento Humano de 2013; e possui 58,4% dos habitantes negros e pardos, de acordo com o Censo de 2010.

João Pessoa e Campina Grande, na 16ª e 40ª posição, aparecem entre as cidades mais violentas do mundo, de acordo com estudo feito pela ONG mexicana Seguridade, Justicia y Paz, em locais com mais de 300 mil habitantes e sem zonas de guerra. O problema é ainda mais grave e emergencial quando consideramos que a partir de 2023 o país sofrerá uma diminuição substancial na proporção de jovens na população em geral. Essa dinâmica demográfica implicará dificuldades das gerações futuras em vários planos, incluindo o mercado de trabalho, previdência social e o necessário aumento da produtividade.

O custo econômico, a cada ano, da morte de jovens no Brasil corresponde a 2,5% do PIB, valor em torno de R$ 150 bilhões. “Temos a perda simbólica, com uma juventude negra abandonada, relegada a um futuro restrito, a um futuro que poderia contribuir para o desenvolvimento do país”, destacou Daniel Cerqueira. Dentre as principais medidas para combater a alta letalidade no país, o pesquisador do Ipea apontou como fundamental o investimento em educação de qualidade.

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