quinta, 24 de maio de 2018
Violência
Compartilhar:

Ministério Público quer imagens e escala da polícia no dia do ‘terror’ no Bessa

Lucilene Mereiles / 28 de julho de 2016
Foto: Érico Fabres
A Polícia Militar tem dez dias, contados a partir de terça-feira, para entregar ao Ministério Público da Paraíba (MPPB), as gravações, escala de plantão, entre outras informações sobre o esquema de policiamento do dia em que ocorreu a explosão do caixa eletrônico da Caixa Econômica Federal no bairro do Bessa, em João Pessoa.

O Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (Ncap) do MPPB instaurou inquérito para apurar o caso. Até agora, ninguém foi ouvido, o que será definido após a chegada dos documentos. A PF é responsável pela investigação criminal, mas o MPPB, assim como a Polícia Civil, poderá repassar qualquer novidade apurada. “Está muito no início. Não falamos com nenhuma autoridade policial”, declarou a promotora Ana Maria de França Cavalcante, que coordena o Ncap. “O que aconteceu no dia 23 de julho repercutiu muito mal para a Paraíba, foi de uma repercussão negativa e se contestou muito as ações policiais”, emendou.

Sobre a postura da Polícia Militar, ela disse que só poderia dar qualquer opinião após analisar o material. “Pelas imagens, tendo uma só viatura e pelo que já foi dito, uma só viatura não combateria aquele grupo criminoso. Mas, eu só posso avaliar com coerência a partir do momento em que analisar a documentação que requisitei. São as ocorrências do Ciop, as gravações, a cadeia de comando, o que foi determinado ser feito e se foi feito dentro das estratégias de segurança pública”, completou.

O Ncap foi criado há cinco anos para analisar a regularidade das ações das polícias Civil e Militar.

Sigilo. A Polícia Federal informou que não vai mais repassar informações para não atrapalhar as investigações, que devem ser concluídas em 30 dias. “Pretendemos chegar à autoria e só então falaremos. Todos os elementos estão nos autos do inquérito, se pessoas foram ouvidas, tudo que foi apurado”, disse Raone Aguiar, delegado regional de Combate ao Crime Organizado.

Trabalho da PM

“Existiam civis, pessoas, seres humanos, e a primeira obrigação das polícias é preservar a vida. Vamos analisar se as ações policiais naquele momento estavam coerentes com os objetivos da polícia”.

Como foi

Por volta das 4h30 do último sábado, um grupo de oito homens encapuzados cercaram o Bessa Shopping, no Bairro do Bessa. Eles explodiram terminais eletrônicos da CEF que ficam no local. O grupo não permitiu que veículos passassem e fizeram reféns. Houve tiros no local. A Polícia Militar acompanhou, mas não interferiu.

Mais um

Um caixa eletrônico do Bradesco em São Miguel de Taipu, região da Mata Paraibana, foi explodido por volta das 3h30 de ontem. Ninguém foi preso. A Polícia Civil não sabe quantas pessoas participaram do crime e a única pista foi uma caminhoneta branca abandonada perto de um condomínio residencial na BR-230. Não há informação sobre a quantia levada.

Relacionadas