sábado, 17 de fevereiro de 2018
Violência
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Bancos ou poder público: quem deve coibir a ação de bandidos que aterrorizam a Paraíba?

Rammom Monte / 15 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Mais uma cidade paraibana acordou assustada após ações de violência durante a madrugada. Enquanto ninguém acha os verdadeiros culpados, os bandidos continuam agindo livremente e aterrorizando a população. Além do pânico, os moradores dos municípios ainda sofrem com outra coisa, a falta das agências bancárias e têm que se deslocar para outras localidades para realizar as transações.

O alvo desta vez foi o município de Areia, no Brejo paraibano. Cerca de 20 homens, segundo informações da população, chegaram à cidade na madrugada desta quarta-feira (15) e explodiram duas agências bancárias, causando pânico nos moradores do local. A ação aconteceu por volta de 3h30. De acordo com uma testemunha, que preferiu não se identificar, a ação foi rápida.

“Da minha casa deu para escutar o barulho dos tiros e das explosões. Foram duas explosões, quase que simultâneas. A ação começou por volta de 3h30 e foi até umas 3h50. Foi muito barulho de tiro. Minha família e eu ficamos trancados em casa com medo de algo maior. O sentimento que dá também é de raiva, de ficar impotente sem poder fazer nada para acabar com aquilo. Não é comum isto aqui. Areia é uma das poucas cidades que ainda não havia acontecido este tipo de ação”, disse.

Ainda de acordo com a testemunha, um fato que chamou a atenção é que o destacamento da Polícia Militar da cidade fica no mesmo prédio em que um dos bancos foi explodido.

“No momento da ação, só tinha quatro homens de serviço. Então eles foram pegos de surpresa. Os bandidos atiraram na viatura para os policiais não poderem sair. O curioso é que o local da base fica no prédio do banco do Brasil e a explosão não foi nos caixas eletrônicos, foi diretamente no cofre, que fica na parede colada no alojamento da PM”, explicou.

Ocorrências a banco 20162

Especialista diz que principal fator é falta de investimento em segurança pública

Para o especialista em segurança Deusimar Guedes, o principal fator que leva a este tipo de ação é a falta de políticas de investimento em segurança pública. Ele aponta que uma equipe de três ou quatro policiais não tem como enfrentar bandidos fortemente armados.

“Não existe política de investimento de segurança publica. Apesar de ser uma das principais reivindicações da população, os políticos parecem não se importar com isto. Um destacamento com dois, três soldados não vai poder enfrentar bandidos com fuzis. É claro que um estado como a Paraíba não tem como ter um batalhão em cada cidade do estado, mas pode ter equipes móveis bem estruturadas, bem armadas, para que façam intervenções, barreiras. Intimidar melhor essas quadrilhas”, afirmou.

Segundo ele, os bancos também têm uma parcela de culpa. Segundo ele, falta investimento em segurança preventiva por parte das instituições financeiras, mas a maior responsabilidade ainda é do poder público.

Sindicato culpa bancos e fala em diminuição de agências

Para o presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Marcelo Alves, a principal culpa é dos bancos, que preferem arcar com o ônus das explosões do que investir em segurança. Ele disse ainda que, por falta de segurança, algumas instituições deixaram de ter agências em várias cidades do Brasil.

“Nós temos acompanhado esse alto índice, sobretudo no interior e temos acompanhado, cobrado frequentemente dos bancos para que eles invistam em segurança, tanto humana como preventiva. O próprio Banco do Brasil aqui na Paraíba tem deixado de operar em dois municípios por falta de segurança, mas não é só na Paraíba, no país todo está encerrando atividades em alguns municípios por falta de segurança. Para os bancos é melhor deixar de funcionar do que investir em segurança,  com essa decisão prejudica os moradores daquela localidade”, finalizou.

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