quinta, 18 de outubro de 2018
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Doença traiçoeira: Uma dor? Pode ser infarto

Ainoã Geminiano / 21 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
“Doença coronariana é muito traiçoeira”, afirmou o cardiologista Ricardo Queiroga, ao falar sobre como alguém pode descobrir que está tendo um infarto. É que existe um quadro clássico de sintomas, que indicam o problema, mas a doença nem sempre segue o roteiro tradicional. Segundo o cardiologista, qualquer dor entre o queixo e a cicatriz do umbigo pode ser sinal de infarto e não pode ser ignorada. Pior que isso, o médico disse que a rede pública de saúde do Estado não possui nenhum serviço capaz de oferecer o tratamento de emergência adequado para esse tipo de doença.

O delegado aposentado José Salvador Pereira está no grupo de pessoas que tem como fator de risco a pré-disposição genética. Mas não ignora um sintoma que parecia bobo e procurar atendimento imediato fez com que ele sobrevivesse a dois infartos agudos do miocárdio. “Nas duas situações, amanheci o dia com uma agoniazinha no estômago, que não chegava a ser uma dor”, contou.

Segundo Ricardo Queiroga, a manifestação clássica do infarto é uma dor no lado esquerdo do peito, com caráter de opressão no tórax, às vezes irradiando para o braço esquerdo ou para as costas. “Essa dor é prolongada, podendo durar 15 minutos, meia hora ou mais, não passa, às vezes com muito suor e palidez. Esse é o quadro clássico, que facilita a identificação da doença. O problema é que nem sempre o infarto aparece assim”, afirmou.

Por conta disso, muitos morrem após sintomas parecidos com o que aconteceu a José Salvador e não procurar um médico ou procuram, mas recebem tratamentos para azia, dor de coluna ou doenças similares.

Para onde ir? Não bastasse a angústia da dúvida sobre estar ou não enfartando, os paraibanos ainda não dispõe de muitas opções de socorro. O Estado só dispõem de serviço especializado de diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas na rede privada, segundo Ricardo Queiroga. “O serviço ideal é aquele que tenha unidade coronariana, retaguarda de hemodinâmica, sala de cateterismo cardíaco, o que infelizmente só encontramos na rede privada. Além disso, é preciso haver um cardiologista de plantão ou um clínico que tenha conhecimentos na área, suficiente para saber identificar a suspeita de infarto, requisitar e saber ler um eletrocardiograma”, disse.

Segundo o cardiologista, houve uma tentativa de criar um serviço público especializado em João Pessoa, na Hospital Santa Izabel, mas não prosperou. Segundo ele, os profissionais especializados exigem condições de trabalho ideais para realizarem um serviço eficiente, dada a responsabilidade do diagnóstico. A reportagem tentou ouvir a Secretaria de Saúde do Município, mas não conseguiu contato até o fechamento desta edição.

Tratamento

Uma vez identificado que o paciente está enfartando, um tratamento emergencial pode ser a administração de medicamentos trombolíticos, que podem desfazer a obstrução da artéria. “Mas esse é um tratamento apenas emergencial, que pode não funcionar em algumas situações. O tratamento ideal é a realização de angioplastia, que é um procedimento feito através de uma artéria, para chegar até o local do trombo e fazer a desobstrução. Por isso é necessário que a unidade de atendimento tenha a estrutura necessária”, explicou Ricardo Queiroga.

Opinião

De médico

“Já tive casos em minha família de pessoas que sentiram dores no corpo, tomaram analgésicos, foram dormir e não acordaram. Por isso, quem sentir qualquer dor entre o queixo e a cicatriz do umbigo, deve procurar um médico para descartar que se trata de um infarto, antes de fazer qualquer tratamento”, Ricardo Queiroga, cardiologista.

De paciente

“Achei que fosse gastrite e tomei um remédio para isso, mas não passou. Resolvi ligar para um médico amigo, com quem encontrei no consultório 10 minutos depois e lá sequer consegui deitar para se examinado. Comecei a sentir a dor no peito e tudo terminou 28 dias depois, após o implante de duas pontes de safena e duas mamárias”, José Salvador Pereira, aposentado.

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