quarta, 20 de junho de 2018
Trânsito
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A lei é dura e muda à força o mal hábito de motoristas de beber e dirigir

Bruna Vieira / 18 de junho de 2016
Foto: Assuero Lima
Amanhã a Lei Seca completa oito anos no Brasil e, segundo os gestores de trânsito, a tolerância zero está levando à mudança de comportamento dos motoristas. Um levantamento feito pelo Ministério da Saúde apontou que houve queda de 51,4% no índice de pessoas que bebem e dirigem, em João Pessoa, um reflexo do endurecimento da legislação. A capital paraibana tem o 6º menor índice do Brasil e 3º do Nordeste.

A Pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) é feita desde 2006 nas capitais brasileiras e no Distrito Federal. Em João Pessoa, 3,4% dos entrevistados admitem que dirigem após o consumo de bebida alcoólica. Em 2012, esse número era o dobro: 7%. A faixa etária com maior índice está entre os 25 e 34 anos. Além de João Pessoa, outras três capitais tiveram queda superior a 50% nos últimos três anos: Fortaleza (54,1%), Maceió (53,2%) e Vitória (50,7%).

Menos acidentes. Segundo a PRF, o número de acidentes e consequentemente de vítimas, tem reduzido a cada ano. “Podemos atribuir esse avanço ao aumento das fiscalizações como também à mudança de comportamento do usuário. Polícia Rodoviária Federal aumentou sua fiscalização de alcoolemia e realiza constantemente ações voltadas para essa temática. Embora essa reduções no mostre que estamos no caminho certo, ainda há muito o que melhorar. Os números ainda são alarmantes e precisamos nos manter vigilantes. A PRF faz seu papel de forma ostensiva e preventiva, mas alerta e clama pela maior conscientização dos usuários da rodovia”, ressaltou Nathália Freire, assessora de comunicação.

Educação é o caminho. Para o chefe de policiamento do Detran, Ricácio Cruz, a mudança maior será sentida no futuro, com investimento na educação das crianças e a punição efetiva.

“A educação no trânsito traz resultados a médio e longo prazo, melhores que as medidas paliativas, como entrega de panfletos, trabalhando com as crianças. O condutor adulto já passou pela educação de base e muitas vezes desconsidera a legislação e o que aprendeu na autoescola. O resultado punitivo é que têm mudado o comportamento. A fiscalização e as alterações na legislação atual. O CTB já prevê que é crime de trânsito e está reeditando, por meio da Lei 13.281/16 que vai ser instalada em novembro. Vai criar um novo impacto. Os acidentes são reflexo da irresponsabilidade, quando a pena atinge o bolso, o comportamento tende a mudar” , disse Ricácio Cruz

Muitos insistem. O coronel Paulo Almeida Martins, comandante do Batalhão de Policiamento de Trânsito e Rodoviário, explicou que muitos ainda insistem no comportamento errado, mas, que o cenário atual é mais positivo. “Muita coisa mudou para melhor, não existe muita situação desgovernada. Muitas pessoas insistem pela cultura da impunidade. A própria lei já dá 20% de abatimento na multa. O ser humano gosta de fazer o que é proibido. As pessoas só não ignoram a lei no dia que morrem”, enfatizou.

“Há 15 anos trabalhamos o programa Uma semana transitando com você, com crianças de sete a 12 anos, sendo instruídos à luz do Código de Trânsito Brasileiro e passam a ser multiplicadores. A minha tese é que a educação é de base. Vem de casa e leva para a rua. Dentro ou fora de carro, tem muita gente fazendo coisa errada, a Lei Seca é só um detalhe”, apontou o coronel.

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