quarta, 20 de junho de 2018
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Toxinas podem inviabilizar distribuição de água do açude Boqueirão

Fernanda Figueirêdo / 19 de maio de 2016
Foto: Divulgação
Apesar da Agência Nacional de Águas (ANA) ter declarado que a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) poderia retirar mais 20 milhões de metros cúbicos de água do açude Epitácio Pessoa para abastecer Campina Grande e mais 18 municípios, o professor doutor em recursos hídricos da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Janiro Costa Rego, afirma que os órgãos de vigilância hídrica não têm como prever até quando a água estará própria para o consumo.

Enquanto a Cagepa afirma que há água para o abastecimento até janeiro, ele garante que a potencialidade das toxinas produzidas pelas cianobactérias, existentes em grande concentração no reservatório, podem ser detectadas a qualquer momento, inviabilizando a distribuição da água.

“A Cagepa mesmo já disse e mostrou valores mais altos do que o limite das cianobactérias no açude de Boqueirão, de forma que já estão sendo feitos pela própria Companhia, em Boqueirão, exames semanais para verificar a presença das cianobactérias, principalmente na saída da estação de tratamento, para verificar se as toxinas estão saindo da estação de tratamento e estão entrando na rede. Quando surgirem as primeiras toxinas, o abastecimento deve ser imediatamente interrompido”, explicou Janiro.

Quantidade x qualidade. O professor Janiro Costa, que acompanha os níveis de água em Boqueirão desde o início do racionamento, em dezembro de 2014, afirma que a estimativa de distribuição de água até janeiro de 2016 leva em conta apenas valores quantitativos.

“Só a Cagepa faz esse monitoramento e possui esses dados da qualidade da água de Boqueirão. Sabemos que os exames são confiáveis, mas chamo atenção para o fato de que no dia que as cianobactérias liberarem toxinas, e estas forem diagnosticadas através dos exames feitos pela Cagepa, imediatamente o abastecimento será suspenso, a não ser que se ampliasse a estação de tratamento desde já, pensando nessa possibilidade, o que também teria um custo altíssimo”, pontuou o professor.

O gerente da Cagepa em Campina Grande, Ronaldo Meneses, já anunciou que a previsão feita pela ANA pode ser reavaliada a qualquer momento, dependendo do comprometimento da qualidade da água, que é examinada, semanalmente, pelos técnicos da companhia.

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