sábado, 20 de julho de 2019
Saúde
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Uma luz no fim do túnel: cirurgia para Alzheimer poderá ser oferecida pelo SUS

Lucilene Meireles / 28 de dezembro de 2015
“Existe a possibilidade de oferecer a cirurgia pelo SUS também, desde que seja interesse do gestor ou por demanda judicial, como foi a do paciente que operamos”, disse o neurocirurgião Rodrigo Marmo, sobre a cirurgia de Alzheimer que pode ser a cura para o mal.

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Segundo o médico, o grande feito foi ter sido a primeira cirurgia aqui na Paraíba. ele disse que não tinha notícia de que o procedimento tenha sido feito em outro local do Brasil. “Não fizemos nenhuma experiência, ela já foi feita e comprovada. Estamos só replicando o que foi feito no Canadá nesses seis pacientes em 2008”, conta.

E a possibilidade do método ser feito pelo SUS existe. O diretor-geral do Hospital Napoleão Laureano, Ivo Borges, afirmou que o processo de habilitação para fazer a cirurgia está sendo preparado e será encaminhado à Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Hoje, o hospital tem condições de realizar o procedimento através de convênios, se for liberado, ou particulares. “Estamos montando o processo com muito cuidado para que tudo saia correto. Esta é uma fase de estruturação e até a primeira semana de janeiro vamos enviar o processo de habilitação", afirmou Ivo Borges, diretor do Laureano. "Mas, o grande interesse é oferecer pelo SUS”, completou.

Técnica requer estudos

A Secretaria de Estado da Saúde não tem estimativa de pessoas com Alzheimer na Paraíba, mas a gerente do setor de Regulação da SES, Mércia Coutinho, avalia a cirurgia como positiva, já que traz benefícios para quem tem a doença crônico-degenerativa. “Se traz a promessa de um possível resgate da autonomia e de retorno a uma condição de vida plena, consideramos benéfica. No entanto, para que esse tratamento seja contemplado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), requer estudos científicos que certifiquem os resultados positivos ao longo do tempo”, afirmou.

Segundo ela, o Hospital Napoleão Laureano deve encaminhar a proposta de inclusão desse tratamento no SUS para avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), criada pela Lei 12.401/2011, que dispõe sobre a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no âmbito do SUS. A gerente observou ainda que o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para doença de Alzheimer (Portaria Ministerial 1298/2013) consta apenas, sob o ponto de vista de tratamento, a utilização de medicamentos.

A secretária de Saúde de João Pessoa, Aleuda Nágila, lembrou que é preciso ter cautela, porque o Ministério da Saúde vai cortar R$ 16,9 bilhões dos recursos para a saúde do Brasil. Ela afirmou ainda que o momento é crítico, preocupante. “Estamos com o pé no chão dentro do que nós já temos, da extensão da saúde, da amplitude que é e da questão financeira, sempre abertos a conversar e agregar, quando possível, mas é complicado. Tudo que se relaciona a Alzheimer ainda é muito empírico, há muito estudo e não tem nada concluído”, ponderou.

Parkinson


O Laureano não realizava neurocirurgia. O serviço foi iniciado este ano e já são 50 procedimentos, dos quais 90% dos SUS, mas para pacientes com mal de Parkinson. A intervenção é a mesma feita para pacientes com Alzheimer. O que muda é apenas o campo onde são colocados os eletrodos. No Brasil, a cirurgia para Parkinson é feita há mais de uma década.  O problema é que a liberação é complicada e, na maioria dos casos, conforme Marmo, é por demanda judicial, porque é cara e o material utilizado é importado. “Mas, um paciente bem selecionado, que tenha a indicação precisa e passa pela cirurgia, tem uma mudança de vida que cobre qualquer investimento”. A intervenção mais recente em paciente com Parkinson no Laureano foi realizada este mês.


''Toda e qualquer tecnologia ou medicamento que seja benéfico para o paciente é bem vindo. Tudo isso, porém, passa por planejamento, porque tem custo. É preciso fazer uma avaliação dentro de nossas condições para que faça um outro olhar voltado para uma novidade dessa que, até então, não estava nos nossos quadros'', Aleuda Nágila.


Secretária de Saúde de JP.

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