quinta, 19 de outubro de 2017
Saúde
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Trombose já matou 48 este ano; reposição hormonal aumenta em 8 vezes risco da doença

Lucilene Meireles / 01 de setembro de 2015
Foto: Assuero Lima
As terapias de reposição hormonal aumentam em oito vezes o risco das mulheres terem uma trombose. A afirmação é da angiologista e cirurgiã vascular Maria da Luz de Aquino Gouveia. As que usam anticoncepcionais e as gestantes também estão propensas. Nos casos mais graves, o problema pode levar o paciente a óbito. De 2010 a 2014, foram 382 óbitos, e até a primeira quinzena deste mês, 48.

“O uso do anticoncepcional aumenta a coagulação. Se a mulher fica parada muito tempo, seja em pé ou sentada, é um fator que pode desencadear a trombose. Se não há movimento de músculos, panturrilha ou se não respira bem, isso predispõe. Uma trombose na perna, por exemplo, pode levar o paciente à morte”, alertou.

Isso acontece porque o coágulo pode se deslocar e impedir o fluxo normal do aparelho venoso, podendo chegar ao pulmão, causando a embolia pulmonar e levar ao óbito nos casos mais graves. Se atingir um vaso de grande calibre, como as veias cava e femural, a tendência é que o coágulo seja maior e se um fragmento se soltar, será de maior amplitude, obstruir mais.

A especialista observou que o esforço de algumas profissões pode contribuir ainda para desencadear varizes, inclusive as de grande calibre. Ao ficar em pé ou sentada muito tempo, o sangue desliza por um vaso tortuoso, de forma mais lenta. Com isso, é mais fácil o sangue coagular. É o que ocorre também em viagens longas de avião, a síndrome da classe econômica.

Diagnóstico. O principal sintoma da trombose é o edema, especialmente se ocorrer em apenas uma perna, mas as pessoas costumam ignorar. Para ter um diagnóstico preciso é necessário fazer o exame correto. “O doppler venoso é o mais indicado para o diagnóstico. Além de não ser invasivo, é muito específico, é um ultrassom”, esclareceu a médica. Se houver suspeita de trombose venosa e tromboembolismo pulmonar, pode ser necessária tomografia de tórax e a cintilografia.

Doença atinge jovens e idosos

Nas mulheres jovens, o risco de trombose começa quando há um aumento da coagulação por causa do uso de anticoncepcionais. Mas, conforme a angiologista, não é uma questão só de idade. “Quando uma pessoa vai ficando mais velha, se movimenta menos e os riscos vão aumentando”, disse a angiologista Maria da Luz. O movimento é contrário à coagulação. Por isso, as pessoas não devem ficar paradas demais. No aparelho respiratório, o diafragma funciona como uma ampola aspirando o sangue para cima, e com a força muscular impulsiona o sangue de volta ao coração.

A comerciária Luciana da Cunha, 25, começa a trabalhar às 8h30 e, em períodos de grande movimento só sai da loja durante a madrugada. Ela sente muito inchaço nas pernas ao final do expediente, mas sabe que o fato de não ficar parada é benéfico para a saúde.

“Faço de tudo um pouco. Atendo clientes, pego caixas, subo e desço escadas. Não paro. Mesmo assim, minha médica recomendou movimentar bastante as pernas para evitar problemas futuros”, contou.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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