terça, 25 de julho de 2017
Saúde
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Saúde confirma casos de Síndrome de Guillain-Barré na Paraíba e investiga zika

Lucilene Meireles / 14 de julho de 2015
Cajazeiras, cidade do Sertão paraibano que tem 61 mil habitantes (IBGE), confirmou três casos da síndrome de Guillain-Barré (SGB - doença neurológica que causa paralisia), com um óbito. A Vigilância Epidemiológica do Município está investigando se há alguma relação da doença com a zika. Esta ligação já estava sendo investigada pelo Ministério da Saúde e também tem sido monitorada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), mesmo que, inicialmente, a zika esteja sendo tratada como uma virose que não traz sérios problemas.

A Vigilância em Saúde da SES ressaltou que a síndrome não é nova e que há casos registrados na Paraíba, nos últimos anos. Este ano, foram seis ocorrências, com dois óbitos.

No ano passado, Cajazeiras não teve registros da doença, mas a população está sendo orientada a reforçar o combate ao mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue, zika e chikungunya, e procurar os serviços de saúde, se tiver a mobilidade afetada. Edilma Chiarelli, gerente de Vigilância Epidemiológica e diretora de Saúde de Cajazeiras, disse que a investigação está sendo feita.

“Só a partir daí, podemos concluir se a síndrome está relacionada a estas doenças ou a uma queda imunológica. Tanto que o tratamento é à base de imunoglobulina. Não podemos dizer se há relação. Ainda requer muitos estudos para termos a certeza. Estamos passando os dados para a Secretaria de Estado da Saúde (SES), mas estamos trabalhando em cima da prevenção de dengue, zika e chikungunya”. Uma paciente teve todos os sintomas de zika, mas não fez exame para confirmar a doença.

Na Paraíba, foram confirmados 11 casos de zika e, por conta da possível relação com a síndrome, os municípios já são orientados a informar à SES os casos de SGB.

Cada um será investigado para saber a relação com outras doenças. O último boletim da dengue no Estado menciona a possível relação do zika vírus com a SGB. De 1º/05 a 29/06, 6,9 mil pessoas, na Capital, procuraram os serviços de saúde com sintomas que sugerem dengue ou zika.

“Temos uma realidade diferente da zika que é a possibilidade da síndrome de Guillain-Barré. Isso ainda está em estudo e o MS está junto com os estados fazendo o monitoramento e investigação. São as informações que estão chegando e situações que estão aparecendo”, declarou Izabel Sarmento, técnica responsável pela dengue e chikungunya da SES.

Ela explicou que a SES está monitorando porque, à priori, a zika era uma doença que não trazia nenhum problema, mas por conta da situação da Bahia, onde estão acontecendo os casos da síndrome relacionados à zika, o MS sinalizou para que seja feito o monitoramento. Os hospitais devem informar à Vigilância quando ocorrerem os casos”, ressaltou Izabel.

Daniel Araújo, gerente da Vigilância Epidemiológica de João Pessoa, afirmou que nenhuma das 11 pessoas que tiveram a confirmação de zika apresentou complicações até o momento. Ele destacou que a circulação da síndrome não é nova, mas as pessoas com zika vírus podem desenvolver. Entretanto, acrescentou que pode ser uma situação pontual na Bahia.

Apesar de estar esperando recomendação do MS para saber como encaminhar os casos, a SMS vai investigar se a síndrome está relacionada a outras doenças de notificação compulsória ou pós-vacinal. “Existem casos sempre. Porém, precisamente das pessoas que tiveram alguma doença viral recente, não temos casos de Guillain-Barré. Vamos monitorar”.

Dois pacientes tiveram a síndrome e conseguiram se recuperar. Um deles foi uma jovem de 21 anos, que mora em Cajazeieras. Ela apresentou os sintomas de zika no dia 6 de junho. A partir de 13 de junho começou a ter sintomas como dormência nos dedos e, seis dias depois, apresentou rigidez nos membros. A doença evoluiu para uma paralisia facial. O outro paciente, um aposentado de 72 anos, percebeu que estava perdendo a mobilidade das mãos no dia 3 de fevereiro. O quadro evoluiu para parada respiratória e houve necessidade de uma traqueostomia. Uma escrivã da Polícia Civil foi a vítima fatal. Ela chegou a ser internada em abril no Hospital Regional de Cajazeiras, mas já chegou em estado grave e foi a óbito.

A síndrome de Guillain-Barré é uma polineuropatia que atinge a parte motora do corpo. O paciente começa a perder os movimentos a partir das pernas e essa sensação pode atingir os membros superiores. A SGB pode deixar sequelas, se não for diagnosticada precocemente, e levar à morte, caso afete o diafragma, levando à insuficiência respiratória e parada cardíaca. “É, na verdade, uma reação autoimune que pode ser a um vírus ou alguma bactéria. A zika, por exemplo, tem uma relação. O organismo cria anticorpos para a defesa do corpo contra algum agente externo e, ao invés de combater apenas esse agente, combate também as células nervosas dos membros e o paciente começa a ter déficit motor”, esclareceu o neurologista Christian Diniz.

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