domingo, 20 de maio de 2018
Saúde
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Quem já teve um infarto tem 30% de chance de ter o segundo em até um ano

Ainoã Geminiano / 23 de setembro de 2016
Foto: Rafael Passos
Em um paciente que sofreu um infarto, a probabilidade de acontecer um novo ataque, dentro de um ano, é de 30%. Mas se esse paciente não fizer o tratamento completo, conforme prescrito pelo médico, essa probabilidade pode chegar a 90%. O alerta foi divulgado em um estudo que mostra que 51% dos pacientes no Brasil não fazem o tratamento de forma correta, após a consulta com o médico.

De acordo com o levantamento, de cada três receitas prescritas, uma sequer é providenciada pelos pacientes. Se uma receita tiver mais de três medicamentos prescritos, metade deles não será comprada. Para o médico Otavio Berwanger, o fato de se sentir melhor faz com que muitos pacientes achem desnecessário tomar o restante da cartela do remédio.

“O médico examina, diagnostica e prescreve o tratamento adequado para sanar o problema, seja uma doença isolada ou crônica. Não seguir a receita, coloca o paciente em perigo, pois, ele não completará o ciclo do tratamento e voltará ao PS ou ao consultório para uma nova avaliação do mesmo problema, o que também prejudica o funcionamento do setor”, disse.

Antônio Fernandes Carvalho é aposentado, tem 71 anos de idade e uma hipertensão que já o levou a passar por seis cateterismos e seis angioplastias - procedimento cirúrgico para desobstrução dos vasos. Usa medicamentos controlados há mais de 10 anos, mas não faz tudo que o médico prescreveu.

“A receita é para que o tratamento seja complementado com dieta e atividade física. Mas eu não faço esses dois, porque não gosto de dieta e tenho um problema no joelho que dificulta fazer atividades físicas. Por conta disso, qualquer coisa que sinto corro logo para o médico, para não ser pego de surpresa”, relatou.

Para o cardiologista Rômulo Leal, a falta de adesão ao tratamento é o principal problema da cardiologia na atualidade, superando até mesmo os clássicos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Segundo ele, quando maior o número de medicamentos, o número de vezes a serem tomados ou de procedimentos a serem adotados, maior a falta de adesão.

Um estudo que analisa os pacientes cardíacos brasileiros mostrou que a falta de adesão ao tratamento atinge  25% dos pacientes, no Brasil. O levantamento foi feito pelo professor Nicolas Danchin, presidente da Sociedade de Cardiologia Francesa e exposto no American Heart Association, em 2015. “Esse paciente deve fazer um tratamento contínuo por, no mínimo, 12 meses”, alertou.

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