quinta, 24 de maio de 2018
Saúde
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Perigo que se esconde por trás da beleza

Katiana Ramos / 09 de julho de 2016
Foto: Divulgação
Há cinco anos, a estudante Cláudia Vasconcelos sofreu uma infecção causada por um ferimento em um dos dedos após um serviço de manicure em um salão no bairro do José Américo, em João Pessoa. Passado o susto, a jovem decidiu não procurar mais esse tipo de atendimento em salões e faz a unha em casa. A situação vivenciada por ela ainda é um risco à saúde de quem procura esse tipo de serviço em estabelecimentos que não seguem as normas sanitárias. A falta de controle pode facilitar o contágio de vírus causadores das hepatites B e C e até mesmo do HIV. No caso da hepatite, já foram registrados 82 casos na Paraíba este ano.

Na casa da estudante Amanda (nome fictício) o terraço é o espaço para o atendimento aos clientes que procuram limpar e pintar as unhas. Para higienizar os instrumentos, como alicates e lixas metálicas, ela diz que utiliza apenas álcool em gel.

“Alicates, lixas, pinças, se não forem bem esterilizados, podem transmitir esses vírus. O que causa a hepatite B é mais resistente ao ambiente, mas a taxa de infecção é menor. Já o vírus da hepatite C resiste por menos tempo, mas a taxa de infecção é maior”, explicou o infeclogista da Hapvida, Alfredo Passalacqua.

Com relação ao vírus HIV, o médico alertou que há risco de infecção pelo contato com objetos com resíduos de sangue contaminado, mas que esse vírus não resiste por muito tempo ao ar livre.

A Lei 12.592 estabelece que  os profissionais de beleza devem obedecer as normas sanitárias, efetuando a esterilização de materiais e utensílios utilizados no atendimento a seus clientes.

Prejuízo da ilegalidade. Muitos estabelecimentos em bairros de João Pessoa oferecem serviços de manicure e pedicure, mas sem os devidos cuidados de higienização. A Vigilância Sanitária da Capital estima que existam cerca de 6 mil pontos desse tipo na cidade.

“Os donos alegam que teriam um custo muito alto para regularizar a situação. Mas, o prejuízo maior é se manter na ilegalidade, porque até que resolvam o problema ficam interditados”, explicou o gerente de fiscalização da Vigilância Sanitária da capital.

Higienização dos instrumentos

▶ Esterilizar alicates, lixas metálicas e pinças no autoclave, em temperatura entre 121º e 124ºC, por até 2h;

▶ Limpar os instrumentos com álcool a 70%;

▶ Embalar os materiais estéreis e guardar em locais próprios com data da esterilização;

▶ Utilizar toalhas limpas para cada cliente;

▶ Descartar lixas, luvas e demais objetos utilizados que não podem ser reutilizados;

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