terça, 25 de setembro de 2018
Saúde
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Peixes ornamentais contra a dengue e zika

Lucilene Meireles / 25 de junho de 2016
Foto: Assuero Lima
O uso de peixes em reservatórios de água contribui para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O processo consiste em colocar os peixes nos locais onde a água é armazenada e eles se encarregam de eliminar as larvas que aparecerem. Na Paraíba, a medida é utilizada em cidades do Sertão e Cariri, onde a população sofre com a escassez de água e precisa armazená-la para o consumo.

Em João Pessoa, o recepcionista Giovanni de Melo utiliza caixas d’água antigas para aproveitar a água da chuva que utiliza para lavar o quintal e o espaço onde cria galinhas. Como a água não é usada de uma só vez, o que sobra fica armazenado.

“Fiquei preocupado com a dengue, zika e chikungunya, porque vi ‘martelos’ (larvas) na água. Tinha visto o exemplo de Garanhuns (PE), onde a Secretaria de Saúde distribui os peixes para a população. Resolvi fazer o mesmo em casa. Desde que coloquei os peixinhos ornamentais, nunca mais apareceu nenhuma larva”, garantiu. Na casa dele, duas pessoas tiveram dengue.

A medida tomada por Giovanni, conforme o gerente de Vigilância Ambiental e Zoonoses de João Pessoa, Nilton Guedes, é boa e, de fato, evita que as larvas cresçam e se transformem em mosquitos. Porém, segundo ele, seria mais adequado usar telas, já que os peixes são mais indicados para grandes reservatórios.

“O ‘peixamento’ funciona. É o que chamamos de controle biológico, mas depende da região e do tipo de criadouro. Não é em qualquer depósito que o peixe sobrevive. Em grandes cisternas, com grande armazenamento de água, é que se utiliza o peixe que se alimenta de larvas. Isso também tem que ser monitorado, porque se colocar pouco peixe e já tiver infestação de larvas, eles não vão dar conta”, explicou.

Peixes não servem para caixas d’água

Para caixas d’água utilizadas nas casas, a melhor atitude é usar a tela, conforme Nilton Guedes. “É um animal que vai estar ali, tem fezes e a água fica imprópria para consumo humano. Isso é mais indicado para a área do Cariri, onde a água da chuva é armazenada por até um ano e há residências que são construídas sobre cisternas, com 40 mil litros de água. Hoje, o que defendo mais é colocar a tela, que protege”, ressaltou.

Para depósitos abertos, ele disse que os peixes podem ser utilizados, mas é necessário fazer o monitoramento para saber se os peixes estão dando vencimento às larvas. “Qualquer água que temos deve ser mantida sob observação. O ideal é buscar medidas definitivas. As telas são baratas e têm longa durabilidade. Se as cisternas não estiverem bem vedadas, deve ser feita a cobertura com tela, evitando também baratas e outros insetos”, ensinou.

Nilton acrescentou que, na Paraíba, o ‘peixamento’ dos reservatórios de água é utilizado no Cariri, no Sertão, em municípios como Picuí, Cuité, Itabaiana, locais com grandes depósitos, em cisternas com capacidade a partir de 20 mil litros. Ainda assim, a recomendação é fazer também o controle com hipoclorito de sódio por conta dos coliformes.

Pesquisa

O uso dos peixes ornamentais foi descoberto numa pesquisa realizada pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) junto com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em 2015. O peixinho conhecido por plati gera até 80 filhotes por mês. Ele mede, no máximo, 5 centímetros e consegue comer 50 larvas do Aedes aegypti em 6 horas.

O lebiste, outra espécie utilizada com a mesma finalidade no Brasil, demora um dia inteiro para fazer a mesma tarefa. A pesquisa ressalta que a presença de peixes deve ser combinada com o controle químico para combater os focos.

 

 

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