terça, 17 de outubro de 2017
Saúde
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Paraíba é recordista em mortes de crianças e adolescentes devido a acidentes domésticos

Socorro e Silva / 19 de julho de 2017
Foto: Reprodução
Todos os anos, cerca 58 crianças e adolescentes entre um e 14 anos morrem na Paraíba devido a acidentes domésticos. O campeão, segundo a da Organização Não Governamental Criança Segura, que monitora regularmente os dados relacionados a acidentes com crianças que acontecem no Brasil, são os de trânsito - que também entram nessa estatística - com 28 ocorrências, seguido de sufocação com 13 casos registrados. Em termos nacionais, 3,9 mil crianças morrem e outras 122 mil são internadas pela mesma causa em 2015.

O risco aumenta com o período das férias e os pais precisam redobrar a atenção nesta época. De acordo com a ONG, que usa dados do Ministério da Saúde em hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a sufocação e o engasgamento representam a principal causa de morte até um ano de idade e as quedas o maior motivo de internação. “Principalmente quando a gente fala de objeto pequeno na boca, que é muito recorrente até 1 ano de idade, sendo que 70% dos casos acontecem até essa idade”, destaca a coordenadora da ONG, Gabriela de Freitas. O coordenador da Pediatria do Hospital de Trauma, Fabiano Alexandria, destaca algumas situações de risco que para os pais parecem pouco perigosas. “Nas áreas de serviços das casas é onde ocorrem os principais acidentes, como por exemplo: baldes com água, tanque, tomadas desencapadas e produtos químicos, principalmente com crianças entre 2 a 4 anos”, destaca.

A recomendação vale também para crianças entre um e quatro anos, pois as quedas são a principal causa de internação nesta faixa, enquanto que o afogamento é a primeira causa de morte. De acordo com o Hospital de Trauma, fraturas em braços e pernas, contusões e entorces são bastante comuns e ocorrem dentro de casa. Dos 550 acidentes envolvendo crianças registrados em junho pela instituição, 313 foram vítimas de quedas e 117 de corpo estranho. E em junho do mesmo ano foram 205 quedas e 110 corpos estranhos. De cinco aos 14 anos, as ocorrências de trânsito (que também são enquadrados como domésticos) são a principal causa de morte por acidente doméstico, principalmente o atropelamento. No caso de internação por causa acidental, as quedas são o primeiro motivo de internação.

811 atendimentos

Somente nos meses de junho e julho, o Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, registrou 811 casos com crianças atendidas na unidade de saúde. O campeão de ocorrências são as quedas (458), seguidos de corpo estanho (164), pancada (67), queimadura (31), atropelamento (22), acidente com bicicleta (24), corte (5) e choque (3). Entre os ambientes mais perigosos das residências, a campeã é a cozinha, onde estão expostos fogão, botijão de gás, tomadas, baldes e objetos cortantes. Por isto, o cirurgião plástico do Hospital de Trauma, Saulo Montenegro, pede atenção redobrada dos pais. “Atenção ao utilizar o forno (que fica na altura dos olhos das crianças) e com panelas, frigideiras, cafeteiras e tudo que fica sobre o fogão. Utilizar as bocas de trás e manter o cabo dos utensílios para dentro, não para fora do eletrodoméstico, é um primeiro passo para atenuar eventuais problemas”, salientou.

No Trauma, os casos mais comuns com relação às queimaduras são por líquido em alta temperatura que já somam 74 neste período de férias, seguidos de acidentes por fogo (13), fogo de artifício (12) e por contato com objeto de alta temperatura (13).

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