quinta, 19 de outubro de 2017
Saúde
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Dados do Ministério da Saúde apontam que 56,6% dos paraibanos estão acima do peso

Bárbara Wanderley / 12 de outubro de 2017
Foto: Rafael Passos
Os 56,6% dos paraibanos que estão acima do peso – segundo dados do Ministério da Saúde - podem procurar tratamento na rede pública. A Secretaria de Estado da Saúde informou que este ano 130 obesos já receberam atendimento médico ambulatorial no estado.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o acompanhamento dos casos começa na Atenção Básica. O médico de saúde da família pede exames e avalia se é necessário encaminhar o paciente para especialistas como endocrinologista ou nutricionista, que continuarão o tratamento no sentido também de prevenir doenças decorrentes da obesidade. Dependendo do caso, o profissional avaliará a necessidade de intervenção cirúrgica bariátrica.

, segundo o cirurgião do aparelho digestivo e coordenador do serviço de cirurgia bariátrica do Hospital Universitário (HU), da Universidade Federal da Paraíba, Luis Antônio Fonseca. O hospital é o único da rede pública da Paraíba credenciado para o procedimento.

Luis Antônio explicou que os pacientes que chegam ao HU são encaminhados de Unidades de Saúde da Família (USF) ou das secretarias de saúde de seus municípios de origem. “Quando o profissional de Saúde da Família atende um paciente que encaixa no perfil, ele encaminha”, disse. A partir daí, o primeiro passo é uma avaliação com um endocrinologista que irá confirmar se o caso é mesmo cirúrgico. “O tratamento cirúrgico é de exceção. O mais importante seria o preventivo”, ponderou o médico.

“Obesidade não tem cura”, afirmou o médico. Segundo ele, embora pessoas que estão ligeiramente acima do peso possam recuperar a forma apenas com dieta e exercícios, o mesmo não funciona para obesos mórbidos. Nesses casos, a única intervenção possível é a cirurgia bariátrica.

Mudança de vida

A especialista em gestão de pessoas Anielle Duarte, se submeteu a uma cirurgia bariátrica no final do ano passado, e de lá para cá já perdeu 43 kg. “Falta 4 ou 5 kg para chegar no peso que eu quero”, disse ela, que antes da cirurgia pesava 105 kg e estava com o Índice de Massa Corpórea (IMC) em 40.

Para ela, o resultado foi uma melhora na auto-estima, na disposição e mais cuidado com a saúde e com a alimentação. “A pessoa olha no espelho e nem se reconhece. Só de entrar em uma loja e poder provar roupas sem a vendedora dizer que não tem do seu tamanho, isso não tem preço”, contou.

Ela destacou, entretanto, que precisa tomar suplementos vitamínicos e tem constante acompanhamento tanto nutricional quanto psicológico. “Tive uma complicação dois meses depois da cirurgia. Uma perfuração no intestino. Tive que fazer uma cirurgia aberta e fiquei um pouco traumatizada, querendo saber por que aquilo tinha acontecido comigo. Precisei de um apoio psicológico para superar”, contou.

Anielle contou que participa de um grupo de apoio que funciona semanalmente para quem irá fazer ou já fez o procedimento. Para ela, é importante que as pessoas saibam que a cirurgia traz muitas mudanças que exigem força de vontade e comprometimento do paciente.

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