domingo, 19 de novembro de 2017
Saúde
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Número de casos confirmados de microcefalia chega a 87 na Paraíba; são 837 notificações

Nice Almeida / 16 de março de 2016
Foto: Chico Martins
Chegou a 87 o número de casos confirmados de microcefalia na Paraíba, de acordo com Boletim Epidemiológico divulgado nesta quarta-feira (16) pelo Ministério da Saúde. Isso representa um aumento de 22,53% em uma semana. Ao todo, já foram notificados 837 casos da má-formação, sendo que 331 foram descartados e 419 estão em investigação. Desses, onze já foram confirmados como causa o vírus zika.

O Estado é o terceiro do Nordeste com maior número de notificações. Durante pelo menos cinco meses, a Paraíba figurou em segundo lugar. Pernambuco continua liderando o ranking nordestino de microcefalia com 1.779 casos notificados, 256 confirmados, 1.226 em investigação e 297 descartados. A Bahia subiu para segundo lugar com 942 notificações, 200 confirmações, 622 investigações e 120 descartes.

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Em todo o Brasil estão sendo investigados 4.268 casos suspeitos de microcefalia. Isso representa 65,9% dos casos notificados. O novo informe aponta, também, que 2.212 casos foram investigados e classificados, sendo 1.349 descartados e 863 confirmados para microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita.

Transporte para microcéfalos

As prefeituras de municípios localizados no interior do estado em que há casos de crianças com microcefalia deverão garantir o transporte desses pacientes e de seus familiares no deslocamento de suas cidades para o Hospital Municipal Pedro I, em Campina Grande, o único estabelecimento da Paraíba tido como referência no tratamento da microcefalia.

Para que isso ocorra, a promotora de Justiça da Saúde de Campina Grande, Adriana Amorim de Lacerda, já solicitou a relação dos municípios cujos casos de microcefalia estão sendo acompanhados em Campina Grande para que, mediante esse relatório, certificar os promotores de Justiça dessas localidades sobre a situação, para que eles possam tomar as providências cabíveis junto ao poder público.

O problema da falta de transporte chegou ao conhecimento da promotora Adriana Amorim por meio da médica Adriana Suely de Oliveira Melo, coordenadora do setor do Hospital Municipal Pedro I que oferece acompanhamento às crianças nascidas com microcefalia. “Ela recorreu ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) para forçar os prefeitos dos municípios onde há registros de casos da doença a oferecerem às famílias necessitadas transportes adequados e regulares para que elas possam conduzir os recém-nascidos até o local do tratamento”, informa a promotora de Justiça.

O Hospital Pedro I em Campina Grande transformou-se em referência no tratamento da microcefalia por conta do trabalho de pesquisa sobre a doença realizado pela médica Adriana Melo, que atua no Instituto Municipal Elpídio de Almeida (Isea), também em Campina Grande. Com suas descobertas, ela se tornou conhecida dentro e fora do país. Nesta semana, por exemplo, a médica se encontra em Genebra, na Suíça, participando de uma conferência a respeito da doença, a convite da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Atualmente, o Hospital Pedro I faz o acompanhamento de 30 casos de crianças com microcefalias, oriundos de praticamente todas as regiões da Paraíba.

De acordo com o relato da médica Adriana Melo, a maioria das mães desses recém-nascidos com microcefalia é carente e as prefeituras têm dificultado ou até negado o transporte para que elas possam chegar a Campina Grande e retornarem aos seus respectivos municípios após cada seção de tratamento. Há casos, segundo a médica, em que as famílias, mesmo com dificuldades financeiras, são obrigadas a colocar combustível nos carros oficiais das prefeituras para chegarem a Campina Grande e voltarem às suas cidades.

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