domingo, 18 de fevereiro de 2018
Saúde
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Na Paraíba, faltam leitos para o tratamento contra as drogas

Lucilene Meireles / 25 de agosto de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
A cada 48 horas, uma pessoa morre por causa de reações orgânicas causadas pelo uso de alguma droga lícita ou ilícita, na Paraíba. Além do problema de saúde pública, os entorpecentes (sejam o uso ou o tráfico) são o combustível da violência em todo o mundo. Nos últimos anos, muito se falou sobre prevenção, repressão e tratamento, mas a sensação é que pouco foi feito e que os governos deram ‘um tempo’ para a política antidrogas. Muitos dependentes até querem se tratar, mas o déficit de leitos públicos é de 550, considerado apenas a fila nas residências terapêuticas ligadas ao Governo do Estado.

Na opinião do psicólogo e especialista em Criminologia e Psicologia Criminal, Deusimar Guedes, falta apoio do poder público na repressão e tratamento dos dependentes químicos. Já o Governo do Estado defende que o Governo Federal tem ajudado com recursos e o trabalho vem sendo feito. Inclusive, há perspectivas de ampliação do atendimento, com a oferta inédita de verbas estaduais a partir de 2017.

Deusimar atuou em programas antidrogas no Estado e na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Hoje, atua de forma independente na área de conscientização, com palestras educativas em igrejas, ONGs e escolas. Ele observou que até existem ações, mas elas não são efetivadas como deveriam. “Tem o Programa Estadual de Políticas sobre Drogas, o PEPD, o Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas, os Caps (Centros de Atenção Psicossociais), que devem ser a porta de entrada de usuários de drogas. São precários por falta de apoio do poder público. Têm profissionais bons, dedicados, com interesse de fazer, mas há uma omissão gritante, inclusive da própria sociedade”, observou.

Falta prioridade. No Brasil, os gestores só funcionam sob pressão, enquanto a sociedade fica torcendo para que tudo se resolva, sem fazer as cobranças, conforme Deusimar.

A OMS, de acordo com o especialista, aponta as drogas como o maior problema de saúde pública do mundo, mas, em sua análise, não tem sido tratado com a prioridade necessária, entrando no discurso, mas não acontecendo na prática.

“É preciso haver prioridade, assim como na Segurança Pública, que também é grave e não há políticas efetivas. Da mesma forma, as drogas, que têm um link muito estreito com a segurança. Grande parte dos homicídios tem ligação com as drogas. Tem que conseguir sensibilizar os gestores e a sociedade para fazer um mutirão e enfrentar o que vem piorando e não vemos perspectiva de melhora”, completou.

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