sábado, 18 de novembro de 2017
Saúde
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Jovens, sexo e câncer: pesquisa vê relação entre casos de tumores na juventude com o HPV

Lucilene Meireles / 22 de julho de 2015
A incidência de câncer de boca e garganta aumentou quase três vezes nos últimos dez anos na população jovem do Brasil e essa mudança tem relação direta com o papilomavírus (HPV). O sexo oral desprotegido é um dos caminhos para a disseminação da doença. A constatação faz parte de um estudo publicado pelo A. C. Camargo Cancer Center (SP) na revista científica International Journal of Cancer.

A pesquisa mostra que 32% dos tumores de boca em jovens têm associação com o vírus. “Não há mais grupo de risco”, sentenciou. A Paraíba deve registrar 420 novos casos, este ano, só dos cânceres de boca e faringe, segundo o Inca. Este mês, acontece a Campanha Julho Verde, que conscientiza sobre a importância da prevenção do câncer de cabeça e pescoço, quinta neoplasia mais comum no mundo.

O grupo de pesquisadores observou que está havendo uma mudança epidemiológica importante, com mais casos em jovens e mulheres, e diversas investigações levaram ao HPV. Segundo o médico Luiz Paulo Kowalkski, existem vários relatos que associam a vida sexual como um dos fatores responsáveis pelo avanço das neoplasias de boca e garganta, mesmo que não seja a única. “Tem pessoas que não praticam sexo oral e têm câncer na boca”, frisou. Porém, conforme acrescentou, o contato com saliva, até mesmo através do beijo (mesmo sendo mais raro), pode transmitir HPV. “No Brasil, até algum tempo atrás, se achava que era ocorrência rara, mas isso vem aumentando. Nas grandes capitais, o problema é mais presente”, destacou.

Jovens adultos que não necessariamente fumam ou bebem, mas que praticam sexo oral desprotegido, entram nas estatísticas. O comportamento abre as portas para o HPV se instalar na cavidade oral e provocar as lesões que se tornam câncer. Este é o 7º mais comum tipo de câncer no País, e o Inca estima que 15 mil brasileiros serão diagnosticados com câncer oral em 2015.

Além do crescente número de casos, o índice de mortes é alto no Brasil. “De câncer de boca e garganta, 50% morrem. Se há diagnóstico precoce, as mortes podem ser evitadas. Isso faz toda a diferença em termos de chance de controle da doença. Hábitos saudáveis, boa higiene da boca, sexo seguro e fazer o autoexame são as principais orientações”, ensinou.

Diagnóstico é um desafio

Dos tumores de garganta, 80% dos que foram avaliados no Estado de São Paulo, estão relacionados ao papilomavírus. Em dez anos, este percentual era de 25%, o que representa um aumento de 300% no período. “O vírus entra nas frestas das amígdalas e se instala. Fica escondido, produzindo tumores que os especialistas não conseguem detectar no exame clínico. Quando localizamos, tem que remover a amígdala. Nela encontramos pequenos tumores que deram metástase. É um desafio de diagnóstico”.

Como todo câncer é assintomático no começo, é necessário observar bem a boca, fazer um autoexame. O médico alertou que, se perceber ferida ou carocinho que durem mais de 15 dias e não melhoram com nada, tem que ficar preocupado, ir ao médico, dentista, para fazer o diagnóstico.

Ele observou que algumas pessoas não apresentam nenhum sintoma, mas aparecem com gânglio no pescoço. Se durar entre dez e 15 dias, deve elevar o grau de preocupação. De acordo com as características, o médico pode suspeitar de uma metástase.

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