quarta, 21 de fevereiro de 2018
Saúde
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Homens e mulheres vulneráveis às doenças do coração

Ainoã Geminiano / 14 de setembro de 2016
Foto: Rafael Passos
Se fossem considerados apenas os fatores biológicos, os homens seriam mais afetados do que as mulheres pelas doenças do aparelho circulatório, como o infarto e o AVC. Isso, porque os hormônios femininos atuam como uma proteção natural para elas. Mas os fatores socioeconômicos, que levaram a mulher a ter que conciliar as tarefas domésticas com a vida profissional, está anulando a vantagem que elas ganharam da natureza e as colocando em grau de risco praticamente igual aos homens. Esse equilíbrio se mostra nos dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES), sobre as mortes nos últimos 10 anos provocadas por esse tipo de doença, que mostram mortes de homens apenas 2,6% a mais que de mulheres.

O cardiologista Fúlvio Soares Petrucci explicou que os estrogênios e a progesterona, hormônios produzidos pelo ovário, funcionam como uma proteção para as mulheres contra doenças do aparelho circulatório.

“Por esse fator, essas doenças deveriam atingir um número muito menor de mulheres, o que acontecia antigamente, quando elas cuidavam apenas da casa. Mas hoje, com a modernização das relações sociais e a entrada das mulheres no mercado de trabalho, há um acúmulo de estresse, que é um dos fatores de risco, e os hormônios apenas retardam em dez anos, a ocorrência das doenças. Com relação à mortalidade, uma vez instalada a patologia, a taxa entre os sexos se equivalem. “, explicou.

O diretor científico da Sociedade de Hemodinâmica do Nordeste, Helman Campos Martins, disse que foram realizados estudos para descobrir se a reposição hormonal, após a menopausa, devolveria essa proteção às mulheres, mas não foram bem sucedidos. “O que sabemos é que a produção natural dos hormônios funcionam como proteção do sistema circulatório”, destacou o cardiologista.

Idade do perigo. Se de um lado as mulheres recebem um reforço de proteção dos hormônios, pelo menos até por volta dos 50 anos de idade, no outro os homens estão sem nenhuma proteção e ainda relaxados com os fatores de risco. De acordo com a última pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), publicada pelo Ministério da Saúde em 2014 e que analisa a população de usuários de planos de saúde, a frequência de homens fumantes no Brasil é maior do que a de mulheres. Eles ainda consomem poucas frutas e hortaliças e apresentam consumo excessivo de sal, diferente das mulheres, segundo o levantamento.

O tabagismo. Os especialistas dizem testemunhar mudanças de hábitos das mulheres, aumentando o risco de serem mais atingidas por doenças do aparelho circulatório. Um deles é o consumo de cigarros. Fúlvio Petrucci disse que o tabagismo, que antes era predominante entre os homens, tem aumentado entre as mulheres e pode se equivaler entre os sexos, nos próximos anos.

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