domingo, 19 de novembro de 2017
Saúde
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Diabetes mata cinco por dia e OMS alerta para epidemia

Aline Martins/Ana Daniela Aragão / 07 de abril de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Uma alimentação balanceada e saudável e a prática de atividade física são alguns benefícios que ajudam na prevenção ou retardo de doenças. Nos últimos cinco anos, a Paraíba perdeu 115.541 habitantes por alguma delas. As patologias crônicas degenerativas são as que mais matam na região ocidental do mundo, segundo comentou o endocrinologista João Modesto Filho, que destacou as doenças cardiovasculares acarretam uma série de problemas. O diabetes é um dos fatores de risco. Hoje é o Dia Mundial da Saúde e a OMS divulgou um relatório alertando sobre a importância de prevenir o mal.

A população está envelhecendo mais, como observou o endocrinologista João Modesto. Com isso as patologias se tornam mais evidentes, tanto as crônicas degenerativas como as cardiovasculares, que carregam o diabetes, hipertensão arterial, o tabagismo e a obesidade. “Então o que a gente vê é que em todas essas patologias existem, tirando evidentemente o tabagismo, um fator ambiental e um fator genético. É claro que o fator ambiental, tem sempre alguma coisa para tentar se fazer, e o fator genético, evidentemente não tem muito, a pessoa já nasce”, comentou.

O médico comentou que ao se falar de doenças degenerativas é possível que o indivíduo tome algumas medidas para retardar o aparecimento de doenças ou quando já possui, evitar que progrida. “A obesidade que está sendo um grande transtorno e que a gente sabe que junto com ela muitos outros problemas ocorrem, como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia – gordura no sangue. E tudo isso junto termina fazendo com que a gente tenha doenças cardiovasculares”, observou, destacando que o estilo de vida contribui para evitar doenças.

Convivendo com o mal. A aposentada Luzia André Aires, 77 anos, tem diabetes desde os 36 e admitiu que seus hábitos alimentares não eram dos mais saudáveis. “Eu comia muito doce. Quando ficava ansiosa também. Onde eu morava, em Catolé do Rocha, era tudo muito pobre, não tinha como se alimentar de forma saudável”, declarou. Ela também contou que as cinco irmãs também vivem com a doença. “A minha mãe morreu de diabetes. É de família. Hoje, a minha alimentação é outra. Tem que ser, senão aparecem os problemas”, disse.

Maria das Dores dos Anjos, 72, convive com o diabetes há 30 anos. Ela contou que viveu em um engenho em Cachoeira dos Guedes, distrito de Guarabira, até os 11 anos. “Eu consumia muito açúcar. Comia rapadura em todas as refeições e naquela época não tinha ninguém para nos orientar. Eu não sabia que esse doce todo poderia prejudicar a minha saúde. Quando fiz 40 anos, comecei a sentir um cansaço nas pernas. Fui ao médico e as taxas de glicose estavam elevadas. Hoje, a minha alimentação é bem restrita. Não aguento comer algo proibido, senão começo a ficar tonta”, contou.

Pode ser evitada. Segundo a geriatra Cristiane Chaves Pessoa, a pessoa que tem tendência a desenvolver a diabetes tipo 2, pode evitá-la com cuidados com a saúde desde cedo. “Se ela tem o gene para desenvolver a doença, deve ter prevenção como um lema. Não há nenhuma novidade quanto ao que se deve fazer. É preciso se alimentar bem e realizar atividades físicas. Esses hábitos podem fazer com que a pessoa não desenvolva o diabetes ou só venha a ter na terceira idade”, declarou.

Cristiane alertou sobre o cenário cada vez maior de crianças e adolescentes com a doença. “Hoje, o que tem na mamadeira das crianças é refrigerante. Quando se tem diabetes tipo 2, desde cedo, as chances de aparecer lesões em outros órgãos é bem maior. Atacam principalmente rins, olhos e pés. Quanto mais cedo, mas difícil de tratar também”, disse.

Ela ainda salientou que o demasiado uso de antibióticos e antiinflamatórios também pode causar o diabetes, atacando os rins e o pâncreas.

Crescimento

Segundo a OMS, o número de diabéticos no mundo quadruplicou desde 1980, passando de 108 milhões para 422 milhões. Metade dos adultos com a doença vivem no Brasil, China, EUA, Índia e Indonésia. Para os pesquisadores, o envelhecimento da população e a obesidade tornam o diabetes “um tema de saúde pública incontrolável”.

Na Capital

Na Praça da Independência, em Tambiá,  a Escola da Saúde da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), oferecerá serviços gratuitos de saúde como  avaliação nutricional,  aferição da pressão arterial e tipagem sanguínea das 6h30 às 9h.  Já a Prefeitura Municipal vai promover ações das 8h as 12h em cinco distritos sanitários em João Pessoa: Academia da Saúde do Ernâni Sátiro, Academia da Saúde do Colinas do Sul, Mercado Público do Valentina, Ponto de Cem Réis, no Centro e Busto de Tamandaré. O Governo do Estado promove a “Semana Família na Escola” com o combate ao Aedes aegypti na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

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