segunda, 16 de outubro de 2017
Saúde
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Cura da asma pode vir da UFPB e medicamento será à base de planta nativa do semiárido

Bruna Vieira / 03 de agosto de 2015
Foto: Assuero Lima
Há mais de 30 anos, a UFPB pesquisa a Milona, planta nativa do semiárido brasileiro. A finalidade é tratar e até curar a asma, porém, embora haja resultados de eficácia, o produto ainda não foi testado em humanos. Isso significa que os pacientes terão que esperar pelo menos até 2020 para que o medicamento chegue ao mercado. Além da demora natural dos estudos, faltou estrutura. “Não tínhamos estrutura adequada para realizar os testes em humanos. O Hiperfarma é novo e agora sim podemos iniciar testes clínicos”, afirmou Marianna Sobral, diretora de farmacologia e toxicologia do instituto.

“A Milona foi trazida pela atual reitora Margareth Diniz, quando um médico relatou que o chá podia tratar bronquite e asma. Existem estudos cardiovasculares, de imunologia, psicofarmacologia e trato intestinal, mas a área respiratória é a que está mais configurada. A importância em relação a aminofilina, sintético tradicional, é que além da atividade bronco-dilatadora, a milona é capaz de regenerar os tecidos pulmonares. Assim, ela age nos sintomas, desinflamando e a pessoa pode até deixar de ser asmático”, revelou o diretor do Hiperfarma, Rui Macedo.

Ele espera que em um ano os testes em humanos sejam iniciados. O chá de milona já é utilizado, mas não foi reconhecido ainda como planta medicinal pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Com a conclusão da fase clínica, é preciso esperar mais dois anos para o registro da medicação. A universidade também pensa em inserir a milona em alimentos. O diretor espera que o chá seja acessível à população através do Sistema Único de Saúde.

Plantas vão reduzir demora

O diretor do instituto, Rui Macedo, explica o desenvolvimento das pesquisas. “A lei proíbe que se façam testes em humanos antes de fazer com animais. No biotério ocorre a parte experimental, o cultivo de animais, engorda, crescimento e reprodução. Nos laboratórios são estudados desde a química, testes não-clínicos e clínicos (com animais e com humanos) até à tecnologia do medicamento”, disse o professor.

O professor, que pesquisa fitoterápicos, acredita que as plantas medicinais vão reduzir a demora nas pesquisas, pois já parte de um conhecimento popular. “Já é algo que a medicina popular utiliza para tratar doenças. Por isso, a gente já sabe se tem uso farmacêutico, com isso, o tempo da pesquisa será reduzido em comparação com os sintéticos”, complementou.

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