terça, 18 de dezembro de 2018
Saúde
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Conheça os benefícios da carne vermelha na alimentação

Lílian Moraes / 16 de julho de 2016
Foto: Arquivo
A carne vermelha sempre foi taxada de vilã, mas a verdade é que ela é muito importante para uma alimentação balanceada e saudável, desde que respeitadas algumas regras básicas, como evitar a gordura e o consumo excessivo. Segundo a nutricionista Cláudia Oliveira, a carne vermelha é uma das melhores fontes protéicas para um praticante de musculação, tanto no período de ganho de massa magra, quanto no período em que se objetiva definição muscular. “Além de ser uma ótima fonte de proteínas com lenta absorção, a gordura saturada contida na carne vermelha é necessária para uma adequada produção do hormônio testosterona”, explica a nutricionista.

“A carne vermelha possui outros benefícios além do seu excelente teor protéico, pois é rica em ferro e vitamina B12, nutrientes necessários para a produção de energia para os treinamentos.É fonte de Beta alanina,cuja função é aumentar os níveis de carnosina nos músculos esqueléticos que possui ação muscular ajudando na manutenção de força por mais tempo de um treino exaustivo. Hoje a suplementação com Beta-alanina está em alta, presente em vários suplementos de pre-workout, vem sendo muito estudada para praticantes de atividade física extenuante”, ressalta a especialista.

De acordo com Cláudia Oliveira, a carne também é rica em zinco, mineral associado com a produção de hormônios anabólicos, incluindo a testosterona e IGF-1. Tem grande concentração de mioglobina, por isso chamada de carne vermelha . Esta é uma proteína que transporta oxigênio para os músculos.

Fonte de creatina , essa é utilizada pelo organismo para fornecer energia durante os exercícios físicos intensos e de curta duração, também conhecidos como atividades de explosão. Desse modo, a creatina está envolvida nos processos de síntese e ressíntese do ATP (primeira fonte de energia que o organismo utiliza durante o exercício), aumentando os estoques de ATP.  É muito conhecida por auxiliar na redução de danos à musculatura ao reduzir a fadiga, possibilitando aumentar a intensidade do treino e favorecer a hipertrofia muscular.

Porém, a ingestão deve ser feita preferencialmente com cortes magros (coxão mole, lagarto, patinho, alcatra, etc.), lembrando sempre de retirar toda a gordura antes do preparo.

A nutricionista esportiva Livia Hasegawa, formada pela Universidade de São Paulo (USP), recomenda, em primeiro lugar, o aumento do consumo diário de proteínas. “Se a pessoa não comer direito antes e depois da atividade física, ela pode não conseguir render bem no dia seguinte. A imunidade pode cair e a pessoa pode ficar doente, se sentir cansada ou com muita dor”, diz a nutricionista. Ela recomenda variar o cardápio de proteínas durante a semana: carnes vermelhas, frango, peixe, iogurtes e queijos, assim como proteínas vegetais como grão de bico e ervilha, são itens que não devem faltar na mesa.

"Comendo carne vermelha de forma equilibrada, você vai ter a sensação de saciedade por mais tempo, então você não vai sentir fome tão cedo. O ferro da carne é importante para a hemoglobina que transporta oxigênio para as células. Com baixa hemoglobina ou anemia, você não vai conseguir correr e ter um bom rendimento", explica a nutricionista, que completa: “O zinco, outro mineral dessa fonte de proteína, é importante para a imunidade e para o corpo construir massa muscular. E não podemos esquecer da vitamina B12. A carne vermelha é uma das principais fontes dessa vitamina. Ela faz parte do processo de produção de energia no nosso organismo”, finaliza a nutricionista.

Para a nutricionista Cláudia Oliveira, apesar da carne vermelha ser um alimento com grande quantidade e variedade de nutrientes, essenciais principalmente na infância quando há uma alta exigência nutricional, há sérias restrições quanto ao seu consumo na idade adulta, por causa da sua gordura saturada e colesterol. Ela disse que, ao comprar este alimento em feiras e supermercados, as pessoas devem ficar atentas para não levar para casa peças gordurosas demais.

“Com relação aos possíveis malefícios da carne vermelha, estes ocorrem quando a ingestão é excessiva e predominantemente realizada com cortes mais gordos, que são ricos em gorduras saturadas e colesterol. Na hora do supermercado, atenção é essencial para não levar perigos para sua família. A preferência deve ser dada aos cortes magros, como o filé mignon, a carne moída, o lagarto ou patinho, deixando a picanha e partes mais gordurosas, e que são muito apreciadas, para ocasiões esporádicas”, disse.

Gordura é a grande vilã da história

Para Cláudia Oliveira, apesar de conferir maciez e palatabilidade à carne, a gordura é extremamente nociva quando consumida, pois pode se alojar nas paredes das artérias e também nos tecidos adiposos, causando obesidade. A nutricionista disse que é importante dar preferência a preparações saudáveis, como as formas grelhadas, assadas ou cozidas, sem esquecer de aumentar o consumo de verduras e saladas, mais saudáveis e equilibradas.

“Pode-se comer de tudo, principalmente carne, porque ela oferece proteínas de alto valor biológico necessário para o organismo e, caso seja consumida observando os requisitos básicos para a saúde e em equilíbrio com outras carnes mais magras, como peixe e frango, ela exerce influencia positiva para a saúde”, explicou a nutricionista.

Dieta vegetariana não fornece todos os nutrientes necessários

Existem pessoas que não gostam de carnes ou que, por causa da má fama que a carne ganhou ao longo dos anos, de que causava doenças graves, inclusive câncer, não querem mais ingeri-la por medo de ficarem doentes. “A questão não é deixar de comer carne, mas sim comê-la em quantidade adequada sem deixar de completar a alimentação com fibras, cereais, legumes e verduras. Repito que os malefícios só acontecem se a pessoa consumir carne vermelha em excesso. Ela é uma excelente fonte de ferro e retirá-la da dieta pode causar problemas de saúde sérios de saúde, inclusive anemia, que pode até provocar a suspensão da menstruação em mulheres”, explicou Cláudia.

A troca pode ser ruim se a dieta for mal planejada e/ou muito restrita, podendo contribuir para o surgimento de deficiências nutricionais e o maior problema está em atingir a necessidade de proteína sem a inclusão de carnes. Para isso, é necessária uma combinação de inúmeras fontes. Também é bom dar preferência a outros alimentos que contém proteína de alto valor biológico, como leite, ovos e derivados, incluindo alimentos à base de soja, para não desenvolver deficiências nutricionais.

Dê preferência às carnes magras

Para se ter uma alimentação balanceada e saudável, não devemos abusar muito nem radicalizar e tirar a carne vermelha do prato para sempre. Por isso, combinar carne vermelha, verduras e legumes num prato é saudável e recomendável e sempre alternar o consumo desta com carnes magras, como o peixe e o frango. “As carnes de frango e peixe são, sem dúvidas, mais saudáveis que a vermelha e podem substituí-la tranquilamente, pois são menos agressivas e mais suaves. Agora, se você gosta muito de carne vermelha, o ideal é procurar peças magras, com menos gordura e que possam ser feitas cozidas ou assadas, nunca fritas. Além disso, o tipo e o corte da carne influenciam bastante e a indicação é sempre optar pelas partes com menor índice de gordura”, disse.

Segundo Cláudia Oliveira, antigamente, a carne era mais saudável e as pessoas desenvolviam menos doenças relacionadas com ela. “Os animais que nossos ancestrais caçavam em geral tinham pouca gordura, pois estavam soltos e buscavam sua alimentação livremente na natureza. Os animais criados em cativeiro para alimentação humana, algumas vezes têm muito pouca atividade e por esse motivo acumulam grande quantidade de gordura. É preferível o consumo de carne bovina em que os animais sejam criados soltos em pastagens, recebendo alimentação selecionada, mas em movimentos e não completamente estabulados”, disse.

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