domingo, 20 de agosto de 2017
Saúde
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Com seca, sais aumentam em açudes e paraibanos adoecem mais dos rins

Bruna Vieira / 27 de julho de 2015
Foto: Arquivo
As doenças renais têm se tornado mais comum, na Paraíba, nos últimos anos. Médicos atestam isso e ambientalistas dizem que o fato pode estar relacionado ao baixo volume dos reservatórios que abastecem os paraibanos. Com pouca água, a concentração de sais na água armazenada aumenta. Os cálculos renais são problemas comuns e estão ligados ao consumo de água e a quantidade de sal ingerida nos alimentos.

Para o professor de Engenharia Ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e ex-secretário de Recursos Hídricos do Estado, Francisco Sarmento, as doenças renais e outras enfermidades estariam ligadas ao baixo volume de água armazenada nos reservatórios.

“A concentração de sais na água é proporcional ao volume e dobra quando cai o índice nos açudes”, afirmou.

Para a Organização Mundial de Saúde, o recomendado é 500 partes por milhão. Se esse número subir, a saúde humana pode ser afetada, de acordo com Sarmento.

“A presença de poluentes afetam diretamente a saúde do consumidor, os problemas que o grande teor de sal hoje vai gerar, só serão sentidos no futuro. Por isso, a população não associa à queda nos reservatórios, mas é só observar os índices de saúde pública daqui a alguns anos”, revelou.

Cálculos no clima quente

O urologista Eliseu de Melo associa o aumento dos problemas renais ao clima quente do semi-árido. “Trabalho em Patos, Caicó-RN e Pau dos Ferros-RN. O aumento de casos acontece em todas as regiões quentes. A quantidade de água consumida é insuficiente e aumenta a formação de cálculos renais”, afirmou.

Segundo Washington Filho, nefrologista, os cálculos provocam obstrução no sistema renal, mas a maioria não exige hemodiálise. “Hoje em dia nem se aplica mais cirurgia. É feita a quebra das pedras através de ondas acústicas e os fragmentos saem na urina”, explicou.

O médico associa o problema à pouca quantidade de água ingerida e também ao consumo de sal nos alimentos. “É preciso consumir pelo menos dois litros de água por dia e ter uma dieta com pouco sal e proteína, tirar o saleiro da mesa seria um opção”, sugeriu o especialista.

Doenças que a água traz

“Antes da década de 80, as doenças diarréicas bacterianas eram as principais enfermidades de veiculação hídrica, mas a melhoria nos processos de tratamento de água, especialmente cloração, foi altamente efetiva em reduzir os patógenos entéricos bacterianos”, disse Francisco Bernardino, infectologista.

“A desidratação é uma condição que acontece quando a diarreia faz parte do quadro clínico da doença e é mais grave nos extremos de idade. Já a leptospirose encontra-se em polo oposto pois está associada a períodos de enchente quando há a possibilidade de contaminação da água pela urina do rato contaminada por Leptospiras”, indicou.

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