quarta, 26 de setembro de 2018
Saúde
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Chikungunya: médicos ainda não sabem direito como tratar os pacientes

Lucilene Meireles / 16 de julho de 2016
Foto: Rafael Passos
A funcionária pública Mônica dos Santos Moreira, 49 anos, está vivendo um drama. Ela tem sintomas de chikungunya há um mês e, pela dificuldade de andar, está se valendo de muletas. As dores são tão intensas que não houve dúvidas: passou a tomar medicamentos por conta própria. Os médicos dizem que não há tratamento específico, apenas aquele recomendado para quem tem dengue. Os profissionais têm medo de prescrever medicação, ainda estão perdidos, porque se sabe muito pouco da doença. Assim, os doentes ficam entregues à própria sorte.

Quem definha com a dor, se automedica, correndo o risco de agravar o quadro e colocando em risco a própria vida. Na Paraíba, são 12.957 casos notificados da doença.

“É muita dor no corpo, inchaço nas articulações. Agora, estou preocupada porque tenho problema cardíaco e escutei que há risco de arritmia. Além disso, tenho osteoartrite e piorei muito. Não consigo fechar as mãos, nem andar sem apoio”, se queixou Mônica. Mesmo tendo plano de saúde, ela relatou que o médico prescreveu apenas analgésico e soro.

“Procurei o centro de referência no Hospital Clementino Fraga, tomei medicação para dor e fiz um exame de sangue. O resultado sai dia 20 e vou mostrar para a médica para ver se ela passa algum tratamento. Com os problemas que tenho de articulação, a médica do Clementino disse que vou passar uns seis meses assim”, disse.

CRM orienta. “O conselho é orientar e promover debates, mas não há muito o que fazer. Infelizmente, não existe medicamento. Fazemos o diagnóstico, mas não há tratamento específico. Nossa situação tem sido de orientar e alertar”, dis o presidente do Conselho Regional de Medicina na Paraíba (CRM-PB), João Medeiros, que considera como maior arma o combate ao vetor. Ele reforçou que o Estado deve assumir essa responsabilidade em parceria com a população. “É a única forma que temos”.

Segundo o médico, a chikungunya é uma doença nova e existe pouca experiência em relação a ela. Há ainda o risco de confundir os sintomas. “São doenças que têm o mesmo vetor e são muito parecidas. Na chikungunya, o que predomina e chama mais a atenção é o quadro articular, que pode persistir por meses”, observou. Nas pessoas que têm uma doença de base, conforme João Medeiros, a situação é mais grave e, apesar do sofrimento de muitos pacientes, frisou que não se deve apelar para a automedicação.

“O ato de se automedicar é antigo, arraigado à cultura.  Seja dengue, zika, chikungunya, qualquer uma dessas doenças acometendo quem tem comobridade, a tendência é de ser mais grave”, disse.

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