domingo, 18 de fevereiro de 2018
Saúde
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Campina Grande no limite com a microcefalia

Fernanda Figueirêdo / 26 de Maio de 2016
Foto: Chico Martins
O ambulatório especializado em microcefalia do Hospital Dom Pedro I, em Campina Grande, atende 79 das 129 crianças com diagnóstico de microcefalia, no Estado. Cinquenta e um estão na fisioterapia, que registra uma fila de espera com 19 crianças. A médica e pesquisadora Adriana Melo falou da campanha para construção de centro integral de apoio e pesquisa da síndrome congênita da zika.

“É importante que todos os órgãos que cuidam da saúde, principalmente o Unicef, que cuida da saúde da criança, venham ver in loco a realidade de nossos serviços. Porque criança doente tem em todo canto, mas a microcefalia atingiu um numero muito grande e a gente não está dando conta de atender. Essas crianças precisam de atendimento e Campina Grande está no seu limite”, disse Adriana.

A médica explicou que a campanha nasceu a partir da iniciativa de empresários de João Pessoa que, preocupados com a falta de ação em relação à microcefalia, se reuniram para tentar construir o centro, que já recebeu algumas doações.

“Semana que vem explicaremos como funcionará. Já recebemos doação do terreno pela Prefeitura de Campina Grande e de material de construção, mas precisamos hoje de R$ 200 mil para que o centro fique pronto. Não adianta esperar que o Unicef, a Organização Mundial de Saúde ou o Governo venha e resolva, porque isso não está adiantando”, afirmou.

O Unicef. O representante da Global Advisor Zika Prevention and Preparedness, Koenraad Vanormelingen, explicou que o Fundo das Nações Unidas para a Infância está fazendo um diagnóstico para só depois agir. “Primeiro temos que continuar a prevenir a infecção e controlar a transmissão, o que implica o controle do mosquito, mas também medidas individuais no lar e a responsabilidade da comunidade para contribuir com isso. Nossa contribuição é agilizar isso junto aos governos, para que, por exemplo, a vacina esteja pronta em pelo menos 18 meses”, explicou.

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Enquanto isso, as mães de bebês paraibanos com microcefalia enfrentam uma rotina desgastante de viagens, privação financeira e preconceito. “Minha filhinha era pra ter nascido na maternidade de CG, mas nasceu prematura no hospital público da minha cidade. Não sabia que ela tinha problema. Levaram ela de mim sem que eu tivesse visto, percebi que tinha algo errado pela cara do médico”, disse Maria Carolina Silva Flor, de 21 anos, mãe da pequena Gabriela, de apenas quatro meses, naturais de Esperança.

Já Josimary Gomes da Silva, 32 anos, se desloca de Algodão de Jandaíra duas vezes por semana para Campina Grande com o único objetivo de que Gilberto, agora com 7 meses, possa ter uma vida digna. Ele é o quinto filho dela, o pai a abandonou e não manda nenhuma ajuda financeira para a criança. Comovidas com a situação, duas francesas resolveram ajudar.

“Nunca pensei que alguém do estrangeiro visse minha história e fosse me ajudar. Eu sofro tanto pra conseguir trazer meu pequeno para Campina Grande. Toda semana é uma briga para que a prefeitura disponibilize um carro, já até acionei o Ministério Público. Pelo menos já consegui o benefício do INSS e meu filho é bem atendido aqui, fico pensando nessas mães na fila de espera ainda sem atendimento”, ressaltou a dona de casa.

No serviço ambulatorial do Hospital Dom Pedro I são oferecidos atendimentos de fisioterapia, consultas especializadas com neurologista, otorrinolaringologista, oftalmologista, fonoaudiólogo e pediatra. No local, também são realizados exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografia, tomografia e raio-x.

“Só eu de fisioterapeuta para dar conta de 51 crianças. Trabalho todos os dias e feliz, mas precisamos ampliar o serviço para que mais bebês tenham oportunidade de se desenvolverem melhor. Nas sextas-feiras e sábados estamos realizando mutirões para diagnosticar a doença em crianças do Sertão. O processo começou no fim de abril e vai terminar no fim de maio. Até o momento já passaram pelo programa cerca de 40 bebês. A meta é avaliar 150 no final”. Jeine Leal, fisioterapeuta.



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