quarta, 12 de dezembro de 2018
Saúde
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A evolução no teste do pezinho em 40 anos de diagnóstico precoce de doenças

Lucilene Meireles / 06 de junho de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
O choro do bebê da dona de casa Ana Carla da Silva, submetido ao teste do pezinho, emocionou a mamãe, mas ela sabia que a furadinha era necessária. O exame, que está completando 40 anos no Brasil, possibilita o diagnóstico precoce de quatro patologias que podem ser tratadas ou monitoradas, evitando que a criança tenha o desenvolvimento retardado. O serviço está sendo ampliado no Estado, com a inclusão de duas novas patologias.

De acordo com a coordenadora da Linha de Cuidados da Saúde da Criança e do Adolescente, Ellen Rangel, a triagem neonatal ou teste do pezinho é oferecida gratuitamente à população do Estado por meio do Programa de Triagem Neonatal da Paraíba, da Secretaria de Estado de Saúde (SES/PB). Ela explicou que o exame mostra se o bebê possui alguma alteração que possa indicar o diagnóstico de uma doença de origem genética grave ou que se desenvolveu no período fetal (congênita).

“O teste identifica distúrbios e doenças no recém-nascido em tempo oportuno para intervenção adequada, garantindo tratamento e acompanhamento contínuo às pessoas com diagnóstico positivo, conforme estabelecido nas linhas de cuidado, com vistas a reduzir a morbimortalidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, destacou. O exame deve ser realizado do 3º ao 5º dia de vida da criança.

Após a triagem neonatal, a criança identificada como positiva para alguma das doenças passa a ser acompanhada e tratada pela Rede de Atenção à Saúde. A enfermeira Maria de Fátima Batista de Oliveira, responsável pelo teste no Instituto Cândida Vargas, disse que muita gente não vai buscar o resultado do exame, mas se houver qualquer alteração no resultado, a família é comunicada por telefone e orientada.

Doenças que podem ser identificadas através do Teste do Pezinho

Hipotireoidismo Congênito

Fenilcetonúria

Doença Falciforme

Fibrose Cística

Hiperplasia Adrenal Congênita*

Deficiência de Biotinidase *

Testes realizados

43.019 é o total de crianças triadas em 2015

39.446 é o número de crianças que realizaram o teste até maio deste ano

183 é a quantidade de postos de coleta na Paraíba

Rede de Triagem Neonatal no Estado:

Postos de coleta cadastrados nos municípios;

Lacen (Laboratório Referência para análise das amostras;

Hospital Arlinda Marques (serviço de referência – acompanhamento e tratamento;

Rede Complementar para Doença Falciforme (Hemocentro da Paraíba);

Ministério da Saúde

A Triagem Neonatal, também conhecida como Teste do Pezinho, foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 1992, mas ele já existia desde 1976, quando a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo trouxe para o Brasil o exame ‘screening neonatal’, o teste do pezinho. Quando virou lei, tornou-se obrigatório em todos os recém-nascidos vivos e incluía a avaliação para fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito. O procedimento foi incluído na tabela SIA/SUS na seção de Patologia Clínica, podendo ser cobrado por todos os laboratórios credenciados que realizassem o procedimento.

Em 2001, o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Assistência à Saúde, fez uma reavaliação e criou o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), ampliando as patologias triadas (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e outras hemoglobinopatias e fibrose cística), busca da cobertura de 100% dos bebês nascidos vivos.

A triagem neonatal envolve, além do exame laboratorial, a busca ativa de casos suspeitos, a confirmação diagnóstica, o tratamento e acompanhamento especializado.

pezinho

Exames do teste do pezinho realizados no Lacen-PB

Hemoglobinopatias - A hemoglobina é a proteína que existe dentro dos glóbulos vermelhos, responsável pelo transporte de oxigênio a todas as partes do organismo. Quando ela tem sua estrutura alterada, o glóbulo vermelho também tem a sua forma modificada, o que prejudica o seu transporte através das artérias e veias. Isso pode levar à oxigenação deficiente do organismo. Em geral, são classificadas em dois grupos: doença falciforme e talassemias.

Fenilcetonúria - Doença genética em que a criança não tem a enzima fenilalanina hidroxilase, que promove o metabolismo do aminoácido fenilalanina existente em todas as formas de proteína da nossa alimentação (carne, leite, ovos, etc.). Com isso, a fenilalanina se acumula no sangue e em todos os tecidos. Este excesso provoca lesões graves e irreversíveis no sistema nervoso central (inclusive o retardo mental) e o seu tratamento precoce pode prevenir estas seqüelas.

Fibrose cística - É uma doença genética, também conhecida como mucoviscidose, que causa mau funcionamento do transporte de cloro e sódio nas membranas celulares. A alteração faz com que se produza um muco espesso nos brônquios e nos pulmões, facilitando infecções de repetição e causando problemas respiratórios, bloqueio dos ductos pancreáticos, alterando o sistema digestivo. Apesar de ainda não ter cura, diversas medidas terapêuticas têm melhorado a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes afetados.

Hipotireodismo congênito - É um distúrbio causado pela produção deficiente de hormônios da tireóide, geralmente devido a um defeito na formação da glândula, ou a um problema bioquímico que ocorre na síntese dos hormônios tireoidianos. Os hormônios tireoidianos são fundamentais para o adequado desenvolvimento do sistema nervoso. A sua deficiência pode provocar lesão grave e irreversível, levando ao retardo mental grave.

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