quinta, 19 de outubro de 2017
Saúde
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486 famílias buscam internação para tirar parentes da dependência química

Bruna Vieira / 20 de julho de 2015
Foto: Assuero Lima
O crack é a droga que causa devastação mais rapidamente. Embora nem todos os usuários precisem de internação durante o tratamento, apenas 20%, em média, reconhecem que necessitam de algum tipo de ajuda. Pelo menos 486 famílias estão na lista de espera por uma vaga gratuita numa unidade terapêutica, para seus dependentes químicos. Nessa fila, só estão os que romperam as barreiras e disseram que queriam ser socorridos, uma minoria.

Existem 36 comunidades terapêuticas em funcionamento na Paraíba. Elas oferecem 300 leitos, mas ainda possuem vagas. As contas não batem porque o serviço só está disponível a quem pode pagar.

A ‘Pesquisa Nacional sobre o Uso de Crack’, publicada ano passado, pela Fundação Osvaldo Cruz – Fiocruz, mostra a situação dos drogados nas ruas da Capital e aponta locais públicos onde há consumo da droga. A coordenadora do Caps AD, Marileide Marins, que participou do estudo, explica que, mesmo que a pesquisa tenha focado em pessoas pobres, a dependência atinge todas as classes: “Professores universitários, doutores, médicos, educador físico... são dependentes de crack”.

“Há muitos de terno e gravata”

Para o secretário Tullio Polari, não há como estimar quantos usuários que não procuram ajuda existem, pois há dependentes que não demonstram nenhum aspecto do vício. “Não tem mais um perfil caricato. Antes se dizia que era favelado, da rua, mas hoje há muitos de terno e gravata. O preconceito é uma barreira, pois o olhar que a cultura tem para com esse tipo de pessoa é esteriotipado, são malandros, bandidos, marginais. E muitos deles não são nada disso”, disse Túllio.

Como cristão, Túllio Polari aponta a falta de Deus como a causa da dependência. “É uma concepção muito pessoal, mas a primeira coisa que leva ao uso de drogas é a falta de amor próprio, oriunda da falta de Deus. Não conhecer Deus leva a situações emocionais, culturais, sociais e econômicas propícias. Por isso, é importante o trabalho espiritual das igrejas no tratamento, seja católica ou evangélica. Outra coisa é a perda da estrutura familiar, a depressão, falta de oportunidades

Governo abrirá 190 vagas

De acordo com o pastor Túllio Polari, coordenador do Programa Estadual de de Políticas sobre Drogas da Paraíba, existem vagas nas casas de reabilitação, que são mantidas por igrejas e ONGs. “Essas instituições têm um alto custo de manutenção (entre R$ 500 e R$ 1.800/mês) e, por isso, os serviços são pagos. O Estado não tem um centro específico. Mas, o Governo Federal está terceirizando vagas nessas clínicas. Estamos terceirizando 90. É pouco, mas é o primeiro passo e, em agosto, serão 190 vagas gratuitas”, informou.

O ideal para atender a demanda, seriam 600 leitos. “Não adianta ter 5 mil leitos e não ter equipe e estrutura física e profissionais que possam acompanhar. Nem todos os que precisam ser internados procuram ajuda. Nem de longe o número corresponde a todos os que necessitam. A internação compulsória, – ou seja, contra a vontade – só é autorizada quando o dependente coloca em risco a própria vida ou a de pessoas próximas”, afirmou o pastor.

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