quinta, 19 de outubro de 2017
Religiosidade
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No Jubileu de 300 anos de Nossa Senhora, Francisco envia mensagem de vídeo

Redação / 13 de outubro de 2017
Foto: Divulgação
Esperado no Jubileu de 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, comemorado nesta quinta-feira (12), o papa Francisco tinha “manifestado a intenção”, segundo suas próprias palavras, de participar da festa quando esteve na cidade paulista, em 2013. “Mas a vida de um papa não é fácil”, explicou o Santo Padre, em vídeo gravado no Vaticano.

A mensagem foi transmitida no início da missa campal, pela manhã, na área externa do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Ao serem anunciados pelo padre, Alckmin, Kassab e Imbassahy foram vaiados brevemente pelos fiéis. A vaia durou poucos segundos, e os sacerdotes logo prosseguiram a cerimônia religiosa, conduzida integralmente por Battista Re. Em seis minutos, o papa buscou transmitir esperança aos fiéis são esperados 200 mil hoje, número 20% maior do que em anos anteriores. “A esperança é a virtude que deve permear o coração dos que creem, sobretudo quando ao nosso redor as situações de desespero parecem querer nos desanimar.” “Não se deixem vencer pelo desânimo”, disse o papa, que repetiu a frase: “Não se deixem vencer pelo desânimo. Confiem em Deus.”

País têm menos devotos

Com 300 anos de adoração celebrados ontem, Nossa Senhora Aparecida é reconhecida como padroeira de um Brasil cada vez menos devoto a santos. No país, 38% cultuam uma ou mais dessas figuras tidas como sacras para o catolicismo, segundo novo levantamento do Datafolha. Há dez anos, quando o instituto abordou o assunto pela primeira vez, metade dos brasileiros (49%) afirmava ter um “santinho” para chamar de seu.

Quando Getúlio Vargas oficializou, em 1931, Aparecida como patrona nacional, era difícil esbarrar com um brasileiro que não se dissesse católico - no Censo que o IBGE fez nove anos depois, foi a religião declarada por 95% do povo. O santo já não é tão forte no Brasil de 2017, onde o número de católicos despencou para 52%, conforme Datafolha realizado em 27 e 28 de setembro, com 2.772 entrevistados de 194 cidades.

Na contramão vêm os evangélicos, que galgaram de 2,6% no levantamento de 1940 para os atuais 32%. E evangélicos, via de regra, não creem em santos nem nas suas imagens, por levarem ao pé da letra a passagem bíblica do Antigo Testamento, Deuteromônio 5,8 “não farás para ti ídolo de escultura”, que na ocasião, refere-se aos antigos cristãos que faziam esculturas de deuses politeístas. O apóstolo Agenor Duque (Igreja Plenitude do Trono de Deus), que em culto recente usou uma Coca-Cola para zombar da adoração a santos - citando um salmo bíblico que critica “ídolos” feitos pelas “mãos dos homens”, deu a entender que a garrafa PET simbolizava uma santa (“a boca dela não fala, o ouvido dela não ouve”) que jamais se equivaleria a Jesus Cristo, “o Senhor e salvador”.

A escalada evangélica não basta para explicar por que santos já não são tão populares no Brasil. É preciso levar em conta o “desengajamento religioso admitido por parte da população”, diz o professor de sociologia da USP Ricardo Mariano. Ele não se refere necessariamente a quem não crê em Deus - e 98% dos brasileiros dizem acreditar, segundo o Datafolha. “Não quer dizer que esse grupo seja descrente, só que não tem filiação religiosa” (caso de 8% da população, contra 0,46% no Censo de 1940). Para o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, do Nú- cleo Fé e Cultura da PUC-SP, mais do que a “ameaça” evangélica, católicos deveriam ver na pesquisa uma amostra do “processo de secularização da nossa sociedade” e também de “fragmentação do cristianismo”. Antes, “todo mundo se dizia católico por falta de opção”. Agora, não: o menu cristão se ampliou, diz Borba.

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