quinta, 19 de julho de 2018
Religião
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“Saio pela porta da frente”, diz Dom Aldo em despedida

André Luiz Maia / 16 de julho de 2016
Foto: André Luiz Maia
 

Neste sábado (16), os fiéis de todo mundo comemoram o Dia de Nossa Senhora do Carmo. Na congregação da Paraíba, no entanto, a celebração ganhou outro tom. A missa, realizada na  Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no Centro de João Pessoa, também marcou a cerimônia pública de despedida do agora bispo emérito da Paraíba, Dom Aldo di Cillo Pagotto, à frente da Arquidiocese da Paraíba. “Não vou fugir daqui. Saio pela porta da frente, não por outras portas. Minha profunda gratidão à Paraíba”, disse, em sua fala final.

O comentário pode fazer referência a uma série de acusações feitas ao religioso que o coloca, junto com outros padres em atividade em João Pessoa, em meio a um escândalo envolvendo encontros sexuais em casas paroquiais. Apesar disso, o assunto não foi colocado em pauta em nenhum momento. O presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, desembargador Marcos Cavalcanti, devoto da congregação de Nossa Senhora do Carmo, mencionou em sua fala que Dom Aldo se afasta por “motivos de saúde”, como foi dito em nota oficial da Arquidiocese.

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Durante a homilia aos fiéis, Dom Aldo professou aos fiéis a se espelharem no exemplo de Nossa Senhora do Carmo, por sua devoção e castidade, “de acordo com a vontade de Deus”. Ao sair da Paraíba, o bispo emérito segue para Fortaleza, na qual integra a comunidade Shalom. O jornal O Povo, do Ceará, relembrou recentemente das acusações do Ministério Público Estadual do Ceará, em 2002, ao religioso.

Ele é acusado de induzir adolescentes a mudarem depoimentos à Justiça no caso do frei Luis Sebastião Thomaz, apontado como suposto autor de abuso sexual contra 21 meninas de Santana do Acaraú, no interior cearense. Em 2002, frei Luis Sebastião Thomaz foi denunciado por crianças e adolescentes de abuso sexual em troca de roupas, dinheiro e alimentos. Na ocasião, o delegado responsável pelo inquérito, Aurélio Araújo, afirmou que o então bispo da Diocese de Sobral, interior do Ceará, Aldo Pagotto, teria incentivado as jovens, na casa delas, a contarem outra história sobre o caso. Isso teria ocorrido após rezar uma missa em Santana do Acaraú.

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