domingo, 20 de agosto de 2017
Policial
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Acusado de matar adolescente em motel é preso e confessa ter cometido crime

Fernanda Figueirêdo / 16 de julho de 2015
Foto: Reprodução TV Correio
Joelson Souto Diniz, de 18 anos, o “Branquelo”, confessou à polícia ter assassinado a adolescente de 17 anos, na noite do último domingo, no Hiper Motel, no bairro de Bodocongó, em Campina Grande. Joelson foi transferido para o Presídio Regional do Serrotão, ontem. A família da vítima disse que sofreu ameaças e teme pela vida da irmã de 14 anos que presenciou o crime. Com medo, a adolescente saiu da cidade.

Joelson se apresentou na Central de Polícia, na terça-feira, acompanhado de dois advogados, acreditando que não seria detido. No entanto, havia um mandado de prisão preventiva para ele. O delegado de Homicídios de Campina Grande, Francisco de Assis Silva, afirmou que o jovem disse que não era namorada da menina e que a conhecia há três meses.

Segundo depoimento de Joelson, o crime só ocorreu porque estava muito bêbado. O relato também aponta que (além de Joelson e seu amigo, Luciano Sinfrônio, 19 anos, e das duas irmãs, havia uma quinta pessoa no motel: uma adolescente de 16 anos, namorada de Luciano.

“Ele contou que estava havendo uma festa em sua residência, no distrito de São José da Mata e que já havia passado o dia bebendo. Chegou o Luciano e o convidou para ir ao Pedregal pegar a vítima. Antes de irem, Joelson pegou um revólver municiado e colocou na cinta. Eles foram com a jovem de 16 anos. Já os cinco no carro, ainda retornaram à casa de Joelson para pegar um litro de cachaça. Voltaram e foram até o motel onde ocorreu o crime”, explicou o delegado.

Eles vieram para fazer a desgraça

A família da vítima mora em uma pequena casa de dois cômodos no Pedregal e está com medo das ameaças recebidas pela filha. “A menina de 14 anos eu já tirei da cidade porque o tal Branquelo e o Luciano depois que mataram minha filha vieram o caminho todinho com uma arma apontada pra cabeça da outra, ameaçando matá-la se ela contasse pra alguém. Eles estavam ligando direto para o meu celular pra ameaçar mais. Estavam combinados, já vieram aqui pra fazer a desgraça”, disse o pai.

A mãe das garotas disse que ninguém da família sabia que a filha tinha se relacionado com Joelson. “Ela deve ter conhecido ele por lá e foi pra esse hotel, sei lá o quê, por inocência, por achar que ninguém ia fazer nada de mal. Ninguém está dormindo aqui dentro, com medo do outro que ainda está solto chegar e matar todo mundo. “As meninas eram muito unidas. Dormiam praticamente abraçadas numa cama de solteiro, nunca reclamavam de nada. O negócio é que ninguém dá conta de pobre”.

"Ele tentou me agarrar. Ela não deixou"

A adolescente de 14 anos contou à reportagem que o acusado tentou fazer sexo com ela, mas que a irmã impediu: “Fomos beber nesse quarto e Luciano foi para o banheiro com a menina que estava com ele. O homem que matou minha irmã começou a discutir com ela, querendo ter relação e ela não queria, disse que estava menstruada e ele disse que era mentira. Eles namoraram, mas já fazia um tempo que não se viam e não tinham mais nada. Ele tentou me agarrar. Ela não deixou. Depois ele foi atrás dela de novo e disse que tinha visto ela na festa de São João com outro rapaz. Ela disse que era namorado dela e ele atirou”.

Luciano Sinfrônio será indiciado como coautor do crime, segundo o delegado.

O caso

As jovens saíram de casa por volta das 20h. Segundo a Polícia Militar, funcionários do estabelecimento disseram que a vítima chegou ao local depois das 22h, com dois homens e duas garotas. Pouco tempo depois, os quatro fugiram no veículo, chegando a derrubar o portão do estabelecimento.

Os funcionários do local foram até o quarto para saber o que tinha acontecido e encontraram o corpo da jovem com um tiro no rosto. De acordo com a mãe da vítima, a sua enteada de 14 anos foi jogada na porta de casa por volta das 23h50. “Ela estava tremendo muito e só chorava. Disse que a irmã tinha levado um tiro em um motel, nós ficamos loucos”, disse.

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