domingo, 19 de novembro de 2017
Policial
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Polícia prende mandante e um dos executores da morte de diretora de presídio

Aline Martins / 22 de março de 2016
Foto: Assuero Lima
O mandante e um dos executores do assassinato da diretora da Cadeia Pública de Ingá, Córdula Veloso Borges, em outubro do ano passado, foram presos no início da manhã de ontem, no bairro José Américo, em João Pessoa e na cidade de Itatuba, no Agreste paraibano. Ednaldo Ferreira de Andrade (Nal – mandante do homicídio e ex-miliciano do Rio de Janeiro) tinha uma empresa de vigilância de rua que seria responsável por ações delituosas. Sabendo disso, a vítima teria denunciado ao Ministério Público. Por vingança, segundo a Polícia Civil, “Nal” teria contratado duas pessoas, uma delas Eliomar de Brito Coutinho (“Má”) também preso, para executar o plano.

A prisão dos dois aconteceu após ter sido deflagrada a Operação Sentinela e contou com apoio da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio e Crimes contra a Pessoa da Capital. O delegado de Itabaiana, Hugo Lucena, designado em caráter especial no ano passado para apurar o crime, informou que a investigação mostra Ednaldo Ferreira de Andrade como mandante. Ele contou que havia várias linhas de investigação e cada uma foi eliminada, restando apenas a que apontava “Nal” como mandante do crime. A partir disso foi realizado um trabalho de inteligência policial que possibilitou comprovar o vínculo entre os dois acusados presos com o homicídio.

Ainda de acordo com o delegado, a diretora da Cadeia Pública tinha o hábito de fazer denúncias de casos de ilegalidades e irregularidade e por conta disso criou inimizades, tendo uma delas, “Nal”. “Quem é de Itatuba, quem é de Ingá, sabe o que estou falando, é de conhecimento público. Inclusive Nal é muito temido lá região. Por quê? Por ser um ex-miliciano, uma pessoa ligada à milícia. A milícia do Piraquê no Rio de Janeiro, no caso. Há provas de milicianos, líderes dessas milícias, freqüentando Itatuba”, revelou, acrescentando que Ednaldo é apontado na participação em outros crimes na cidade.

As denúncias feitas por Córdula surgiram após a empresa, que realizava vigilância de rua contratada por comerciantes, residências e estabelecimentos particulares a preços baixos, expandir a atividade de Itatuba para Ingá e prosperando de forma rápida. “Se você for obrigado a formalizar sua empresa, com obrigações trabalhistas, é inviável, sobretudo numa cidade pequena. E associada a essa investigação veio denúncias de práticas ilícitas atribuídas a Nal. Nós ainda estamos apurando essas questões e serão mantidas em sigilo”, revelou, destacando que empresas desse tamanho não precisam de autorização da Polícia Federal para funcionar porque não é guarda armada, mas precisa cumprir obrigações trabalhistas e previdenciárias, licença da prefeitura.

Defesa disse que não sabe de que o cliente está sendo acusado

O advogado do apontado como mandante do crime, Jonathan Pontes, informou que nada pesa contra o cliente, nenhum inquérito e nenhuma acusação. Ednaldo responde por uma tentativa de homicídio, onde, segundo o advogado, foi absolvido por um júri popular em Ingá. “A vítima sobreviveu e inclusive é amigo hoje do Nal, se relaciona bem com ele”, revelou. Contou que esteve na cidade de Itabaiana verificando os autos para saber qual acusação, mas o delegado que representou a prisão provisória, disse que estaria com a juíza. Por sua vez, disse que estava com o delegado.

“Pela Súmula Vinculante 14 do Supremo Tribunal Federal nós temos acesso aos autos para saber de que o cliente está sendo acusado. Até o presente momento não tivemos nenhum acesso as acusações que pesam sobre nosso cliente, se foi interceptação telefônica, se foi uma campana, uma investigação, enfim. O inquérito que existe não tem nada contra ele. E quando a juíza deferiu a prisão fundamentou dizendo o seguinte: nós vamos prender primeiro para investigar depois. A lei permite isso. Não acho muito justo, mas o que diz a lei e a gente tem que cumprir. Agora, nessa investigação, tomara que cheguemos a verdade dos fatos e quem for culpado pague e quem for inocente, liberado”, completou.

Relembre o caso:

A diretora da Cadeia Pública do município de Ingá, na Paraíba, Córdula Veloso Borges, foi morta a tiros dentro de um carro na BR-230, quando seguia para trabalhar. A vítima tinha saído de casa quando outro veículo emparelhou com o dela e um ocupante disparou várias vezes. Dois familiares de Córdula também estavam no veículo, mas não ficaram feridos

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