domingo, 18 de fevereiro de 2018
Policial
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Do crime ao ‘xadrez’: desmontada quadrilha acusada de tráfico, homicídios e assaltos

Aline Martins / 16 de junho de 2016
De dentro de seis presídios das cidades de João Pessoa, Catolé do Rocha (Sertão paraibano), Caicó (Seridó do Rio Grande do Norte) e Campo Grande (capital do Mato Grosso do Sul) presidiários comandavam quadrilhas responsáveis por tráfico de drogas, homicídios e assaltos nos municípios da região do Vale do Mamanguape, no Litoral Norte da Paraíba. A polícia descobriu que a conta bancária da esposa de um deles, que é vendedora de cosméticos, movimentava R$ 100 mil, por mês. Dez pessoas foram presas e três adolescentes apreendidos, durante a Operação Shalom realizada pela 7ª Delegacia Seccional de Polícia Civil (7ª DSPC). No entanto, o número de pessoas detidas desde o início das investigações chega a 54. A Polícia ainda apreendeu drogas e armas restritas às Forças Armadas. Os detalhes foram divulgados ontem à imprensa.

As investigações foram conduzidas pelo Grupo Tático Especial (GTE) e Núcleo de Homicídios da 7ª DSPC e tiveram início em janeiro deste ano a partir da atuação de dois grupos que atuavam em Mamanguape e Baía da Traição, segundo contou o delegado seccional da 7ª DSPC, Walter Brandão. Durante esse tempo, algumas pessoas já foram presas e até apresentadas em entrevistas coletivas a imprensa como o caso de um filho de ex-prefeito de Mamanguape que articulava crimes e um deles foi a tentativa de seqüestro a um comerciante de Lagoa de Dentro, nessa região, em abril deste ano. Nesse período até na terça-feira foram presas e apreendidas 46 pessoas. Na tarde de ontem foram cumpridos oito mandatos de prisão.

O delegado de Mamanguape que conduziu o inquérito, Marcos Paulo Sales, explicou que os presos fazem parte de várias quadrilhas que atuavam nessa região em relação ao tráfico de drogas, prática de alguns homicídios e assaltos. Os pedidos de prisão foram concedidos pelas varas de Justiça dos núcleos onde os criminosos atuavam. “A gente fez um mapeamento dessas organizações criminosas e foram feitas várias autuações em flagrantes nesses cinco meses e hoje a gente conclui essa Operação com a prisão daqueles indivíduos que não foram pegos em flagrantes, mas como há materialidade formada nos autos a gente representou pela prisão preventiva e hoje cumprimos os mandatos de prisão e busca e apreensão”, afirmou.

Em várias situações, as Polícias Civil e Militar, que trabalharam em conjunto, conseguiram evitar alguns crimes como informaram o delegado seccional Walter Brandão e o comandante da 2ª Companhia Independente de Polícia Militar, capitão Alberto Filho. “Fizemos a saturação dos pontos onde iriam acontecer os crimes, assim pudemos evitar a ocorrência deles”, frisou o capitão. Diversas pessoas participaram na Operação. Todos foram encaminhados para um dos presídios dos núcleos onde os criminosos atuavam.

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Restringir contato. Para o secretário de Segurança do Estado, Cláudio Lima, o sistema penitenciário deve ser reformulado para evitar que os bandidos continuem mandando no crime mesmo de dentro dos presídios. “É necessário de uma política nacional para que cuide do sistema penitenciário de uma forma uníssona, ou seja, para que cuide de forma padronizada para que possa eliminar o contato do preso, que ele tenha o contato mínimo com o exterior. Você vê que o cabeça, dessa organização criminosa, está no Mato Grosso do Sul, um presídio federal e continuava dando as ordens e com muito dinheiro”, disse.

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