segunda, 16 de julho de 2018
Policial
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Após 18 dias de sequestro, garota Nicole volta a morar na casa da mãe

Ainoã Geminiano / 12 de abril de 2018
Foto: Rafael Passos
“Sei que estou sendo vigiada. Não estou livre da Justiça. Tudo apenas começou agora”. Foi o que disse a dona de casa Ana Maria Paiva, mãe da menina Nicole, de 7 anos, no primeiro dia que a menina passou em casa. A menina foi raptada no começou do mês passado e resgatada 17 dias depois, no interior do estado de Pernambuco. Após o resgate, Nicole foi enviada para um abrigo, por determinação do Ministério Público Estadual e, só nessa quarta-feira (11), voltou a morar com a família.

Segundo a mãe, Nicole foi liberada pelo Ministério Público para ir pra casa, mas está sob custódia, sendo monitorada. “O pessoal da Infância e Juventude vem aqui em casa fazer visita toda semana, para ver como ela está, como estão as coisas. Eu estou tomando todo cuidado possível com ela, pra não deixar ela sair de casa sem eu estar acompanhando. Não quero perder a guarda da minha filha, tanto que me endividei com um advogado pra brigar pra trazer ela de volta pra casa”, disse Ana Maria.

Sobre a suspeita de ter sido negligente com a filha, o que teria facilitado a ação do acusado, Ana Maria disse que isso nunca existiu. “Eu errei sim em ter botado um homem dentro de casa, sem conhecer ele direito, mas nunca abandonei nenhuma filha minha. Elas que me abandonam quando crescem”, argumentou. Ana tem nove filhas, mas apenas duas moram com ela. As demais moram de favor, nas casas de pessoas conhecidas.

Na última terça-feira, a Vara da Infância e Juventude realizou a audiência de reintegração de Nicole, que estava marcada para o próximo dia 18. A antecipação da sessão foi proposta pelo Ministério Público, porque a menina chorava diariamente no abrigo, dizendo ter saudade da mãe. “Concluímos que, se ela estava sofrendo com essa saudade, seria uma violência manter a menina longe da mãe. Foi feita a reintegração à família, mas vamos seguir monitorando o caso, por um prazo de seis meses, que pode ser prorrogado, de acordo com avaliação do juiz”, explicou a psicóloga Vitória Régia, da Vara da Infância e Juventude.

O primeiro dia em casa

Recuperada do susto e das lesões que apresentava quando foi resgatada, Nicole passou o primeiro dia em casa sorrindo, brincando com as irmãs e comendo bastante. A timidez com a presença da reportagem do Correio em sua casa não a impediu de fazer bagunça, se jogando em cima das irmãs e correndo de um cômodo a outro.

“Na última vez que falei com ela por telefone, senti que ela não estava bem lá nesse abrigo. Tudo isso me ensinou muita coisa e agora muita coisa vai ser diferente”, disse Ana Maria, se referindo aos cuidados com a filha. Como era investigada, a mãe também não sabia o endereço do abrigo onde Nicole estava.

A investigação continua, mas a menina está de volta ao convívio familiar.

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