domingo, 20 de agosto de 2017
Policial
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Amordaçado, roubado e morto: corpo de vigilante é encontrado em matagal

Fernanda Figueirêdo / 22 de julho de 2015
Foto: Chico Martins
O vigilante Sebastião Pequeno Alves Filho, de 40 anos, foi encontrado morto, amordaçado e com as mãos e pernas amarradas na manhã de ontem em um matagal, no bairro Tambor, em Campina Grande. De acordo com a Polícia Civil, ele foi sequestrado na última terça-feira durante um assalto à Gama, concessionária de caminhões Volkswagen na qual trabalhava, no bairro do Distrito Industrial.

Segundo a Polícia Militar, o assalto aconteceu por volta das 22h e o gerente da concessionária contou que recebeu a ligação da empresa responsável pela segurança do estabelecimento informando que o alarme tinha sido acionado. Ao chegar ao local, notou que os vidros do escritório estavam quebrados e que o vigilante havia sumido.

Segundo a delegada Maíra Roberta, titular da Delegacia de Homicídios de Campina Grande, o vigilante foi achado vestido com a roupa de trabalho, mas sem o colete balístico, que estava ao lado do corpo. O caminhão baú da empresa foi encontrado vazio ainda na manhã de ontem, abandonado na Alça Sudoeste, nas proximidades de uma loja de pneus. “Provavelmente eles fizeram a transferência do que foi roubado do caminhão para outro veículo antes de fugirem. Acredito que eles não estão longe”, disse Maíra.

A delegada responsável pelo caso disse ainda que as câmeras de segurança da concessionária irão ajudar a polícia na identificação dos acusados.

Família quer justiça

De acordo com a sobrinha da vítima, Elizete Alves, o tio trabalhava na empresa há mais de quatro anos e sua esposa havia estranhado porque não tinha conseguido contato com ele. “Eles sempre se falavam pelo whatsapp durante as noites que ele ficava de plantão. Como ele não respondeu, ela ligou e o celular nem chamava. Nós só queremos justiça. Porque enquanto pais de família como ele morrem trabalhando para colocar comida dentro de casa, os outros roubam, matam e não acontece nada. Hoje é o aniversário do filho dele, estamos muito tristes”, desabafou Elizete, completando que o tio era um homem honesto e trabalhador.

Sindicato pede mais rondas

“O que nos resta é fazer ofício para as autoridades policiais competentes fazerem mais rondas próximas a esses estabelecimentos. Outro problema é que existem muitos postos de trabalho sem condições, deixando o vigilante praticamente na rua à mercê dos bandidos”, disse o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Campina Grande, Edmir Bernardo da Silva.

Edmir disse que o sindicato já impetrou ação civil pública na justiça solicitando que as empresas coloquem guaritas em pontos de trabalho abertos, como em postos de gasolina, padarias e supermercados. “Já existe uma lei municipal sancionada em 2014 garantindo este direito ao vigilante, mas as empresas não cumprem. Agora vamos recorrer à justiça”, pontuou o presidente do sindicato.

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