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Acusado de comandar explosões a bancos no Nordeste é preso na Paraíba

Bruna Vieira / 24 de julho de 2015
Foto: Nalva Figueiredo
Um dos assaltantes mais procurados do Nordeste foi preso ontem, pela Polícia Civil da Paraíba. José Ricardo de Souza Silva é acusado de chefiar a quadrilha que comandava explosões a agências bancárias em três Estados, e considerado o sucessor de Gilson Beira-Mar. Ele foi detido juntamente com outras seis pessoas na operação Phantom (fantasma), na última quarta-feira, pelo Grupo de Operações Especiais (GOE).

José Ricardo, que escondia sua identidade pela alcunha de Seu Chico. As demais prisões ocorreram em Campina Grande, Maranhão e Piauí. A operação durou dois meses, mas o homem de 29 anos é investigado desde 2008.

Com apenas 29 anos, José Ricardo já é considerado um dos assaltantes mais procurados do Nordeste. Era também escorregadio e escondia sua identidade por trás de personagens, como “Seu Chico” ou “Nogueira”.

“Ele era um fantasma, por isso o nome da operação. Por isso, demorou tanto tempo para ele ser preso. Ele assumiu a chefia da quadrilha após a prisão de Gilson Beira-Mar em 2013. Este é conhecido assim por ser muito perigoso, é considerado o Fernandinho Beira-Mar do Nordeste, mas não possui nenhum parentesco”, informou o delegado titular do GOE, Allan Terruel.

No último dia 15, o GOE prendeu em Campina Grande, Marcelo Belo de Souza, responsável por adulterações em veículos. A Polícia Civil do Maranhão e Piauí prenderam no mesmo dia os responsáveis pelos explosivos: Josenildo do Nascimento, Leandro Silva e Gentil de Aguiar Lucena, além de outros dois envolvidos, conhecidos como Negão e Randerson. O braço direito de José Ricardo, conhecido como Neguinho, já teve o mandado de prisão expedido em Campina Grande, e poderá ser preso a qualquer momento.

Capital de giro para o crime

Segundo o delegado, os primeiros crimes praticados por Seu Chico foram em 2008. Ele é acusado de crimes, como homicídio, tráfico de drogas, receptação e adulteração de veículos e venda ilegal de arma de fogo.

“O dinheiro dos assaltos tem capacidade econômica de movimentar a compra de armas e o tráfico de drogas. O grupo atuava no Litoral Sul e Borborema, com vertentes no Maranhão e Piauí. Ele será transferido para Bayeux, onde há um mandado de prisão em aberto contra ele, por roubo. Mas foi difícil indiciar, pois ele era um desconhecido. Não tinha nome, CPF, pai ou mãe”, afirmou Terruel.

Ricardo é natural de João Pessoa, mas morava com a esposa e filhos em Santa Cruz do Capibaribe-PE, onde ostentava luxo. “Ele possui padrão de vida elevado, a casa tinha muitas câmeras, até mesmo para observar a movimentação da polícia ao redor. Usava a família, comprava bens e espalhava patrimônio em nome de laranjas. Estamos levantando isso. Investigamos três núcleos criminosos até chegar ao líder. Além de combater a prática de explosões, combatemos a adulteração de veículos e consequentemente, o roubo e a falsificação de documentos”, disse.

Novo cangaço

As últimas três explosões em agências bancárias lideradas por Seu Chico ocorreram em Boqueirão, Taperoá e Poção-PE, segundo o GOE. A polícia acredita que as cidades são escolhidas estrategicamente pela facilidade em rotas de fuga. Na Paraíba, elas estão próximas à BR-104. “Todas são próximas à região de Campina Grande, mas são cidades do interior, com pouco policiamento. Esse é o novo cangaço, em que eles fecham a cidade, altamente armados e deixam grampos na estrada”, contou o delegado.

Eduardo Luna é advogado do líder da quadrilha e disse que vai verificar a veracidade das acusações. “Ele ainda não se pronunciou, não confessou nada. A defesa vai verificar as acusações e se comprovadas, vamos cogitar a possibilidade de delação premiada, que é auxiliar nas investigações para reduzir a pena”, revelou.

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