quarta, 20 de junho de 2018
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Pesquisadores fazem testes para saber o que protege bebês do ‘efeito microcefalia’

Lucilene Meireles / 13 de abril de 2016
Foto: Arquivo
Uma equipe de especialistas em genética da Universidade de São Paulo (USP) coletou, ontem, no Auditório da Funad, em João Pessoa, amostras de sangue e saliva de bebês com microcefalia, atendidos na Fundação, e de seus pais. O objetivo é realizar um teste chamado exoma para entender o que ocorre no genoma dos bebês e o motivo da zika estar causando a malformação. Além disso, saber por que há crianças com mais susceptibilidade genética de desenvolver o problema e outras menos.

“Queremos saber por que a zika (porque acreditamos que seja ela) está causando este problema. Outros pesquisadores estão interessados em estudar mais o vírus, desenvolver uma vacina, o que é muito importante, mas a gente quer entender a razão deste vírus causar a microcefalia nos bebês. E mais ainda, descobrir por que, quando a mãe está infectada, alguns bebês desenvolvem a microcefalia e outros não, saber o que protege alguns bebês”, observou Mayana Zatz, professora titular de Genética da USP, doutora em Genética pela USP e pós-doutorada em Genética Humana e Médica pela Universidade da Califórnia.

Segundo ela, apesar dos estudos já realizados, ninguém sabe hoje qual é o risco de que uma mãe infectada vai ter um filho com microcefalia, até porque há muitos casos em que a mãe está infectada e não sabe.

“Se as crianças nascerem com problema, chama a atenção. Se nascerem normais, ninguém vai ficar sabendo. A gente quer saber, exatamente, qual é o risco e talvez possamos tranquilizar muitas mães que estão grávidas, já que está todo mundo em pânico hoje, e dizer que o risco não é tão grande e há muita chance de nascer sem problema”, declarou a especialista.

Pontos a esclarecer. A geneticista Mayana Zatz disse que outro ponto a esclarecer é a razão de alguns gêmeos não serem afetados. “Será que a placenta é resistente? Há pessoas que são geneticamente resistentes e é possível que isso ocorra. Além disso, não sabemos o que o vírus faz ao penetrar em células nervosas”.

Confirmar se houve a contaminação pelo zika vírus é o primeiro teste para o estudo. O resultado dessa fase demora de dois a três meses, mas ainda não há prazo para uma conclusão. A geneticista Mayana Zatz observou que, dependendo da fase do bebê, o vírus nem é mais encontrado. Nestes casos, é preciso analisar para ver se tem anticorpos. Se sim, é porque houve contato com o vírus, em algum momento.

As amostras serão levadas para a USP, onde será feita parte do estudo que conta com a colaboração de vários grupos, como João Pessoa, Natal, Recife, Bahia, onde também foram coletadas amostras.

Pai também transmite. Ninguém sabe até agora, segundo a geneticista Mayana Zatz, quanto está sendo transmitido pelo mosquito, que atravessa a placenta, e quanto pelo pai, porque ele também pode estar infectado. Ela explicou que o vírus pode ficar bastante tempo no esperma.

“Eu digo sempre: casais que estão querendo engravidar, não é só a mãe quem tem que se cuidar, mas o pai também. Ninguém sabe ainda quanto tempo o vírus fica no esperma), porque isso ainda é novidade, mas pelo menos dois meses, já sabemos que fica”, alertou.

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