Acesso

Paraíba
Compartilhar:

“Carne Fraca” coloca alimentos na mira dos órgãos fiscalizadores da Paraíba

Lucilene Meireles e Katiana Ramos / 21 de março de 2017
Foto: Assuero Lima
A Gerência de Vigilância Sanitária de João Pessoa (GVS) vai fiscalizar supermercados, atacadões e hipermercados por conta das investigações em relação à qualidade de embutidos e algumas carnes. As equipes estão definindo como será feita a operação. Os fiscais vão recolher amostras de produtos como linguiça, salsicha, empanado, entre outros. Os itens serão analisados no Laboratório Central do Estado (Lacen) e, assim que o teste for iniciado, o prazo para divulgação do resultado é de uma semana. Por enquanto, a orientação da GVS é evitar o consumo desses alimentos. A data da fiscalização não foi divulgada.

“Vamos verificar a procedência, através da nota fiscal. Se tiver algum produto com aspecto em não conformidade com o ideal, vamos recolher amostras”, declarou o gerente de Vigilância Sanitária, Silvio Ribeiro. Ele ressaltou que ainda não há informações de que teria sido apenas um lote com problemas ou todo o alimento produzido pela indústria. “Isso não temos como saber, porque se trata de uma investigação policial da Polícia Federal. Mesmo assim, a Vigilância Sanitária não poderia ficar de fora. Vamos avaliar toda a distribuição”, declarou.

Ainda de acordo com o gerente, a operação deverá envolver outros órgãos, como a Secretaria de Agricultura e Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) que fiscalizam todo o Estado, e também o Ministério Público para reforçar as ações. “Temos que ter ações concretas e procedimento para que, no final se alguém tiver que ser punido, que seja punido. Não pode ficar só achando que não vai dar em nada. Temos que dar uma resposta para a população”, enfatizou.

Silvio Ribeiro destacou também que o consumo de um alimento cuja qualidade não está adequada pode trazer vários tipos de danos para a saúde. “No mínimo, uma infecção intestinal”, observou. Segundo o gerente, devem ser evitados os produtos em questão até que haja uma melhor definição em relação à qualidade. Ele lembrou, porém, que o problema não é generalizado. “Claro que há frigoríficos que adquirem de outros locais devidamente qualificados, com boa procedência. Por isso, não deve se abster de tudo. Estamos atentos”, completou.

A reportagem questionou à Agevisa se será feita fiscalização nos demais municípios. Porém, até o fechamento desta edição, não houve resposta.

MP-Procon quer localizar lotes. O Ministério Público Estadual (MPPB) quer saber se os produtos dos lotes identificados pela Polícia Federal durante a ‘Operação Carne Fraca’, realizada na última sexta-feira, foram comercializados na Paraíba. A solicitação foi feita ao Ministério da Justiça, na manhã de ontem, pelo promotor e diretor-geral do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério Público da Paraíba (MP-Procon), Glauberto Bezerra.

“É preciso que a população saiba que lotes estavam com problemas ou impróprios para o consumo e que poderiam trazer riscos à saúde humana. Esses produtos identificados com problemas, se identificados nos estabelecimentos aqui da Paraíba, devem ser retirados sob e, inclusive, o responsável pode ser preso”, explicou o promotor. Glauberto Bezerra revelou ainda que, caso os estabelecimentos do Estado, tenham recebido os lotes irregulares, poderá ser feito um recall dos produtos.

Na tarde de ontem, representantes de várias entidades de Defesa do Consumidor e da Vigilância Sanitária participaram de uma reunião na sede do MP-Procon e traçaram um cronograma de fiscalizações conjuntas nos estabelecimentos que comercializam carnes e frios em todo o Estado.

De acordo com o diretor-técnico da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) e com o secretário do Procon da capital, as situações mais encontradas nas fiscalizações ordinárias são produtos com data de validade vencida e mal refrigerados.

“Encontramos produtos reembalados de maneira irregular, conservados fora da temperatura ideal ou fora do prazo de validade”, disse o diretor-técnico da Agevisa, Aílton César dos Santos.

Relacionadas