quarta, 21 de fevereiro de 2018
Cidades
Compartilhar:

Os benefícios da internet e os perigos do exagero

Lucilene Meireles / 16 de Maio de 2016
Foto: Lucilene Meireles
Quer saber o que está acontecendo no mundo? Acesse a internet. Quer falar com alguém da família? Internet. Que tal reunir amigos de vários lugares do mundo ao mesmo tempo numa conversa? Internet. Quer uma receita de bolo? Descobrir como chegar a algum lugar? Comprar aquele produto na promoção? Internet. Redes sociais aproximam pessoas. Sites de busca facilitam pesquisas; os de notícias trazem informação o tempo todo. É possível até monitorar a própria casa de qualquer lugar virtualmente. As pessoas vêm mudando o comportamento e estão cada dia mais conectadas com o mundo virtual. Tudo isso é positivo, mas para aproveitar de forma saudável as facilidades é preciso ter limites.

As estudantes Andressa Sabino, 21, e Ana Lívia Avelino de Oliveira, 17, não desgrudam do celular e passam muitas horas do dia conectadas. Elas utilizam o mundo virtual para pesquisas e informação, mas as redes sociais são a principal atividade. “Durante a semana, fico mais à noite, mas somando todos os acessos, passo cerca de 8h conectada. Minha mãe, inclusive, impôs uma lei em casa e não permite mais que eu fique até tarde, até porque estudo e tenho que acordar cedo”, declarou Andressa.

As duas concordam que cometem exageros, mas apontam o lado bom. “Em alguns momentos, a gente perde um pouco o controle do tempo. Porém, a internet traz muitos benefícios em relação aos estudos, a ter contato com parentes distantes e até a localizar pessoas com as quais não tínhamos mais contato”, avaliou Ana Lívia.

Na sala de aula, o uso da ferramenta é estimulado pela professora Mariana Moreira. “Sempre oriento meus alunos para que ampliem os conhecimentos. É uma fonte preciosa de pesquisa para estudantes e utilizo muito com eles. O benefício é imenso e muito maior do que os prejuízos, se o usuário souber usar da forma correta, sem exageros”, avaliou.

No Parque Arruda Câmara, é inevitável que o passeio da família não tenha uma pausa para a famosa selfie. O registro feito pelo gestor empresarial Elmano Cunha imortalizou o momento que, mais adiante, pode ser compartilhado com os amigos. Porém, segundo ele, a importância da internet vai muito além da diversão das redes sociais. “A velocidade da informação é o que vejo de mais importante. Num segundo, fico sabendo o que está acontecendo, até se tem um engarrafamento para que possa mudar a rota. É claro que há o lado negativo, quando a pessoa se torna dependente, mas destaco o que é positivo. Temos o mundo na palma da mão”. A servidora pública Lívia Braga, concorda com o marido. “Aproveito para estar bem informada, mas não sou viciada”, garantiu.

Sem exageros

O computador e a internet são meios de comunicação cada vez mais utilizados pela população, tendo diversas finalidades, sendo uma delas a interação virtual. Entretanto, a tecnologia das redes sociais pode ser aliada, por ser facilitadora da comunicação, mas também pode trazer prejuízos, quando traz um distanciamento das relações reais, conforme a psicóloga Mayara Almeida.

“Os usuários da internet têm a oportunidade de interagir com outros usuários, aprender novas informações, manter contato, manifestar pensamentos e sentimentos, enfim, as opções são variadas”, destacou. Por outro lado, de acordo com ela, é preciso ter cautela, porque o exagero gera consequência.

“Tantos de nós temos estado mais tempo nas redes sociais do que na vida real. Mas o que seduz tanto quem utiliza estas redes? Vaidade? Busca de socialização? Tem sido muito cômodo aceitar amigos com um click, bloquear pessoas sem ter que lidar com o frente a frente. Mas, esquecem das consequências: redução das habilidades sociais, aumento da introspecção e fantasias extremistas, negativas sobre as relações humanas”, pontuou.

Compulsão à exposição

Como consequência negativa pode existir algum grau de uma fragilidade do ego. As pessoas fazem de tudo para demonstrar o oposto da sua vida real. A psicóloga Mayara Almeida explicou que é com a aprovação do outro que algumas pessoas amenizam a insegurança: demonstram situações felizes, sorrisos, viagens perfeitas. “Por trás desta cortina imaginária, há um hipermodernismo que reivindica: "estou aqui", por vezes, numa compulsão à exposição; uma espécie de Narciso atual, numa ditadura da autoafirmação”, analisou.

Um dos maiores desafios da atualidade, segundo ela, pode ser a relação entre o que é representado nas redes sociais e o que existe fora dela, na vida real, pelo fato de poder ocasionar repercussões na subjetividade do indivíduo contemporâneo. “O espaço individual precisa ser preservado: lugar para intimidade. Talvez possamos pensar em “menos curtidas” e mais possibilidades de curtir de fato, o fato”.

Relacionadas