domingo, 18 de fevereiro de 2018
Cidades
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Mais do que sobreviver, viver em paz ter saúde e trabalho é o desejo das pessoas

Ana Daniela Argão / 17 de setembro de 2016
Foto: Arquivo
As pessoas não querem apenas sobreviver e, sim, aproveitar a vida da melhor forma possível. Viver em paz, com saúde e com um trabalho digno – necessariamente, nessa ordem - é de extrema importância para os brasileiros. Foi o que indicou a pesquisa Pulso Brasil realizada pelo Instituto Ipsos entre 1 e 12 de julho deste ano, que analisou quais são os problemas do País que mais afetam a população. Nas ruas, pessoenses afirmam que o medo da violência está tomando conta de suas vidas, justamente o item que foi primeiro lugar na pesquisa.

O estudo apontou que a preocupação com violência é alta em todas as faixas de renda, mas as classes alta e média são as mais afetadas. Os entrevistados que ganham entre cinco e dez salários mínimos e dos que recebem acima de 20 salários mínimos mencionaram segurança como sua principal preocupação. Para os que ganham até um salário mínimo, a falta de emprego foi o item considerado como maior preocupação. A região Nordeste é onde a falta de emprego é mais sentida. Os serviços deficientes em saúde receberam mais menções entre os mais velhos e os que recebem entre um e dois salários mínimos. Para a camada mais rica da população, congestionamento de veículos é a segunda preocupação mais mencionada.

O diretor Ipsos Public Affairs, Danilo Cersosimo afirmou que durante a boa fase da economia vivida na última década, mais brasileiros ascenderam socialmente e passaram a demandar melhores serviços. “Problemas sociais de longa data, como saúde deficiente e a violência endêmica, ganharam relevância, especialmente porque as necessárias reformas nessas áreas nunca aconteceram de maneira consistente. Com o declínio da economia, vemos, além da demanda por melhores serviços, a preocupação com o desemprego,” afirmou.

Isolamento social. A preocupação em ser assaltado, perder um emprego ou não conseguir marcar uma consulta importante, pode acarretar sérios problemas psicológicos. Segundo o psicólogo Nilton Formiga, esse sentimento pode criar um ‘isolamento social’. “O desenvolvimento social tem influência externa muito forte. Isto faz com que as pessoas assumam duas grandes dimensões de comportamento que mexem com as relações sociais”, disse.

Segundo o psicólogo, a primeira dimensão faz com que a população comece a desacreditar nas pessoas, resultando na falta de consistência nas relações humanas. “O segundo se liga ao primeiro quando essa descrença faz com que aconteça um isolamento social. Ela fica segregada da dinâmica social. Esses pontos fazem com que elas fiquem em ‘anomia psicológica’, o termo usado para representar estas situações”, explicou.

Atos extremos

No caso de um desemprego, uma pessoa pode chegar numa condição extrema de desespero e cometer atos graves. Porém, o psicólogo afirmou que cada pessoa deve ser analisada porque outros problemas já existentes podem interferir nas ações. “Há casos mais graves onde a pessoa já sofre de depressão por causa de outras situações. Esse ponto pode levar a casos como vimos com a família no Rio de Janeiro, em 29 de agosto deste ano, que um homem matou a família e se suicidou por possíveis problemas profissionais”, explicou.

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