domingo, 18 de fevereiro de 2018
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Mais de 140 mil com doença pulmonar obstrutiva crônica na Paraíba

Aline Martins com assessorias / 29 de agosto de 2016
Foto: Nalva Figueiredo/Arquivo
Desconhecida pela maior parte da população brasileira, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) – que afeta o sistema respiratório por conta da redução progressiva da capacidade respiratória devido à obstrução das vias aéreas e da perda da função pulmonar – vem crescendo nos últimos anos e mata mais do que câncer de pulmão. A DPOC é a quinta causa de morte no Brasil. Em quatro anos, a estimativa é que essa doença seja a terceira no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), perdendo apenas para as doenças cardiovasculares e neurológicas. Cerca de 90% dos casos dessa doença são provenientes do cigarro. Em torno de 15% dos fumantes desenvolvem essa doença. Na Paraíba, estima-se que 141 mil pessoas tenham doença pulmonar obstrutiva crônica. Hoje é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

A DPOC é um grupo de doenças respiratórias relacionadas à obstrução das vias aéreas, mas não é uma doença nova, apesar do pouco conhecimento da população. Nessa categoria se destacam duas: a bronquite crônica – caracterizada pelo excesso de secreção na mucosa dos brônquios - e a enfisema pulmonar – doença degenerativa após o pulmão ter sido sacrificado durante anos do abuso do cigarro. De acordo com o chefe da disciplina de Pneumologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Ronaldo Rangel Travassos Júnior, outro problema grave respiratório é a exacerbação aguda que também afeta os brônquios. “Ela tem maior índice de mortes do que casos de infarto do miocárdio”, afirmou, acrescentando que muitas vezes as pessoas costumam tratar do coração, sem saber que outras doenças como essa podem matar mais do que as cardíacas.

Os principais sintomas da DPOC são a falta de ar excessiva, tosse e produção de secreção – tendo ou não o chiado no peito. Em determinados estágios da doença pulmonar obstrutiva crônica, alguns pacientes ficam tão debilitados que não conseguem cumprir atividades básicas como tomar banho, lavar louça, levantar da cama e até mesmo caminhar. Segundo Ronaldo Rangel Travassos Júnior, o diagnóstico precoce ainda é por meio do exame de espirometria que deve ser realizado pelo menos duas vezes por ano em pessoas que fumam. “A DPOC tem um custo alto para a saúde e também tem mortalidade alta. A melhor maneira de descobrir é fazendo o exame de espirometria”, afirmou, acrescentando que antigamente a medicina não era tão evoluída e não havia como fazer o tratamento.

Custo alto para tratamento da DPOC

Ainda de acordo com o chefe da disciplina de Pneumologia da UFPB, o custo para o tratamento da DPOC ainda é muito alto. Ela não está ligada apenas ao uso do cigarro, mas também ao atual ambiente poluído. O tratamento pode ser feito por meio de bomba que deve ser usada não apenas no período de crise, mas diariamente, por meio de antibióticos e do uso de broncodilatadores. Esse último ainda não está acessível na rede pública de saúde. No entanto, o especialista Ronaldo Rangel Travassos informou que muitos pacientes conseguem via judicial. Ele é usado em situações específicas e graves. Ao conceder esse tipo de tratamento, evita-se que o paciente fique exposto a bactérias resistentes a antibióticos. Já o oxigênio é a forma de tratamento na fase final. Pode-se encontrar tratamento para a doença nos hospitais Clementino Fraga e no Universitário Lauro Wanderley, na Capital. “Não é curável. Ela é controlável. Você consegue levar uma vida boa com ela”, ressaltou.

“As pessoas acham que a especialidade pneumologia está associada à tuberculose e por conta disso não vão ao médico para tratar de doenças do pulmão. De cada dez pessoas que vão ao cardiologista nos Estados Unidos, cinco vão para o pneumologista. No Brasil, de cada 20 que vão ao cardiologista, um vai ao pneumologista” Ronaldo Rangel Travassos Júnior – chefe da disciplina de pneumologia da UFPB.

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Tomar vacina para prevenção da pneumonia

Ainda de acordo com o chefe da disciplina de Pneumonia da UFPB, quem fuma também deve tomar a vacina contra a pneumonia, que não é oferecida na rede pública, mas nas redes privadas. Ela custa em média, R$ 200. Nos países desenvolvidos a campanha é para que se evite o consumo de cigarros para que não se desenvolva a DPOC. Ronaldo Rangel Travassos informou ainda que a doença pulmonar obstrutiva crônica tem um custo maior para a saúde do que a asma, por exemplo, uma doença pulmonar conhecida pela população.

- Incidência dos casos de câncer de traquéia, brônquio e pulmão para 2016: 4.790 novos casos na Paraíba

- O tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo, segundo a OMS.

 

- Internações na Paraíba este ano (até junho) por enfisema e outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas: 1005 internações este ano até junho e 61 mortes

DPOC em números

Paraíba



  • Estima-se que 141 mil pessoas tenham DPOC, com base em dados de prevalência brasileiros




Brasil



  • Calcula-se que aproximadamente 11 milhões de brasileiros têm DPOC


  • Estimativas indicam que 70% dos pacientes com DPOC no Brasil permanecem não diagnosticados


  • Na última década, a doença foi a quinta maior causa de internação no SUS entre os maiores de 40 anos com cerca de 200 mil hospitalizações por ano.


  • DPOC mata aproximadamente 100 pessoas por dia no Brasil.




Contato na adolescência: 147 mil brasileiros morrem por ano por conta do fumo

O primeiro contato com o cigarro acontece normalmente na adolescência, que é uma época de experimentação e, nessa fase, muitos se arriscam sem pensar nos danos que isso pode proporcionar à saúde a longo prazo, como problemas pulmonares, respiratórios e, até mesmo, cânceres. De acordo com o Instituto do Câncer José de Alencar (INCA), o tabagismo é principal fator para o desenvolvimento do câncer de pulmão, sendo responsável pela morte anual de, aproximadamente, 147 mil brasileiros.

Juliana Puka, pneumologista do Hapvida Saúde, explica que iniciar o consumo do cigarro ainda na adolescência aumenta o risco de dependência. “A curto prazo, adolescentes que fumam têm maior risco de eventos cardiovasculares (infarto e derrame) do que jovens não-fumantes. Quanto maior o número de cigarros consumidos por dia, e quanto mais tempo a pessoa fumou na vida, maior é o risco de desenvolver câncer (especialmente o de pulmão) e doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica)”, esclarece. Essa dependência é causada pela nicotina que, mesmo não sendo a substância mais agressiva, é a que causa tolerância e é responsável pelo aumento contínuo do consumo do cigarro.

“Ao ser inalada, age no cérebro como a cocaína, porém de forma ainda mais rápida, em torno de 7 a 19 segundos, modificando o estado emocional e comportamental dos indivíduos e dando-lhes sensação de prazer. A nicotina também causa problemas cardiovasculares, gastrite, úlceras e, no pulmão, a liberação de substâncias que degradam a sua estrutura, desencadeando o enfisema pulmonar”, afirma a especialista. Além disso, a fumaça do cigarro possui uma mistura de mais de 4.700 substâncias nocivas ao organismo que, com o passar dos anos, prejudicam a saúde e causam sérios problemas.

A pneumologista ressalta que substâncias como monóxido de carbono, alcatrão, amônia, cetonas, formaldeído, níquel, chumbo e naftalina são componentes comuns aos cigarros. “Algumas destas substâncias são potenciais irritantes de olhos, nariz e garganta, e promovem paralisia do movimento dos cílios dos brônquios, responsáveis pela limpeza e defesa do trato respiratório.” Quem deseja parar de fumar precisa ter consciência que, assim como em outras dependências químicas, é necessário acompanhamento médico e psicológico.

cigarro

Tabagismo entre as mulheres muda cenário do câncer de rim no Brasil 

Comumente ligado ao câncer de pulmão, o tabaco é um dos principais fatores de risco para vários outros tipos de tumor, entre eles o câncer de rim. Trata-se de uma associação preocupante, sobretudo no caso da população feminina, considerando a tendência de aproximação cada vez maior das taxas de tabagismo entre homens e mulheres no Brasil, segundo o Inca. Em vários países, enquanto a prevalência de fumantes masculinos atingiu o pico, as taxas no sexo feminino estão em ascensão. E, mesmo em sociedades em que o consumo de tabaco tem diminuído, a redução tem ocorrido de forma menos acentuada entre as mulheres.

“A consolidação do tabagismo entre as mulheres nos últimos anos tem sido um fator imprescindível para a mudança no cenário do câncer de rim neste grupo. Apesar de o câncer renal ser duas vezes mais frequente em homens, o aumento relativo no consumo de tabaco tem levado a um crescimento considerável no diagnóstico da doença em mulheres”, afirma o médico Fábio Schutz, especialista em Oncologia Clínica pela Sociedade Brasileira de Cancerologia e Pesquisador em Oncologia Clínica do Dana-Farber Cancer Institute e Harvard Medical School.

Especialmente entre as mulheres jovens, a prevalência do tabagismo cresce mundialmente e, em muitos países, já se verifica um predomínio de meninas fumantes em relação aos meninos.  Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as mulheres já representam hoje cerca de 20% dos fumantes no mundo, somando quase 250 milhões de tabagistas. Com isso, elas se tornam mais suscetíveis não apenas ao câncer de rim, mas também aos tumores de pulmão, bexiga, cabeça e pescoço, colo de útero e esôfago. Alguns estudos científicos sugerem, ainda, uma relação entre o fumo e o câncer de mama.

Tratamento do Câncer Renal

O câncer de rim, por apresentar características muito específicas, é altamente resistente à quimioterapia. Mas é possível obter melhores resultados com as terapias-alvo, que agem com elevada precisão. Essa estratégia de tratamento, que foca na procura por um alvo específico que possa ser atingido por um determinado medicamento, aumenta as chances de melhores resultados, com menos efeitos colaterais. “Os novos medicamentos têm mudado a história do tratamento do câncer de rim. Se antes estávamos diante de uma doença praticamente sem opções terapêuticas, hoje o câncer de rim já pode ser considerado tratável, por meio de medicamentos que aumentam a sobrevida e melhoram a qualidade de vida dos pacientes”, afirma o diretor médico da Pfizer Brasil, Eurico Correia.

No Brasil, acaba de ser lançado o medicamento Inlyta (axitinibe), da Pfizer, indicado para o tratamento de pacientes com carcinoma de células renais avançado (RCC, sigla em inglês para renal cell carcinoma), tipo mais comum de câncer de rim. Aprovado também nos Estados Unidos e na União Europeia, o medicamento é uma terapia-alvo oral baseada na inibição seletiva de receptores do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que têm papéis importantes no crescimento dos novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor e estimulam, assim, a progressão metastática.

A chegada de Inlyta ao mercado complementa o portfólio da Pfizer no Brasil para o tratamento de câncer renal, que já conta com Sutent, desde 2006, e também com Torisel, desde 2010. Com isso, a Pfizer reafirma seu compromisso de investir em tratamentos inovadores que ampliem e melhorem a vida de pessoas, considerando o segmento oncológico como uma de suas áreas prioritárias para os aportes em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

 

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