sexta, 23 de fevereiro de 2018
Luto
Compartilhar:

Leia a última entrevista do empresário e jornalista Marconi Goes

Kubitschek Pinheiro / 21 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
Ele faz parte da história da comunicação brasileira. Não tem como o jornalista Marconi Goes não ser lembrado. Quando dirigiu “Os Diários Associados na Paraíba” fez escola e muitos profissionais aprenderam com ele. Marconi protagonizou cenas dignas de aplausos, momentos que equacionam o essencial na vida de um grande homem. Filho de Nazário Goes e Josefa Maria Albuquerque, Marconi nasceu em João Pessoa e é formado em Direito pelo Unipê.

Casado com Dizinha Goes, sua eterna musa em cujas paredes da casa estão as tais fotografias desse amor sem mim. Ele vai seguindo sua vida sem precisar de crachá para entrar em qualquer lugar. Cheio de virtudes, exemplos, respeitoso e culto, Marconi é o eterno poderoso chefão. Leia a entrevista e conheça outras facetas do velho Goes.

– Vamos começar pela infância. Como era o menino Marconi Goes?

– Fui uma criança feliz. Logo cedo sai de casa e fui para um convento na cidade de Goiana. Lá, dei inicio a minha parte intelectual. Logo depois segui para o exercito. Só me lembro de coisas boas quando eu era criança. Vejo meus netos aqui em casa e lembro quando eu era menino.

– Como era a convivência com seus pais?

– Éramos cinco irmãos e vivíamos felizes. Meus pais gostavam muito dos filhos, porém, a convivência era diferente dos dias de hoje. Vivíamos muito dentro de casa.

– O senhor casou com uma capixaba, linda e elegante, uma grande dama. Como conheceu Dizinha?

– Ela me chamou a atenção pelos gestos carinhosos e pela beleza. Uma mulher muito educada. Eu a conheci quando fui trabalhar em Vitória, já como jornalista numa rádio dos Diários Associados. Enfim, ela que me agarrou (risos). Ela foi para o Rio de Janeiro com a família e eu fui atrás e nos casamos lá na Igreja Nossa Senhora do Brasil, que Roberto Carlos costuma frequentar. (A casa do Rei é vizinha a igreja).

– Você e Dizinha construíram uma família de mulheres: Raquel, Isabela, Simone e a neta Marcella…

– Uma vez escrevi uma texto assim: tenho quatro mulheres, gosto de todas elas (depois e que nasceu a neta Marcella) e elas gostam de mim. Aí um leitor de Patos me mandou uma carta me esculhambando, achando que eu era casado com quatro mulheres. Era apenas um marido e um pai falando de meus amores….

– Há anos moram nesse casarão no Cabo Branco. Nunca pensaram em se mudar para um apartamento?

– Não, não gosto de apartamento.

– Como é o Marconi pai, amoroso, dedicado?

– Eu nunca chamei minhas filhas atenção, dando uma palmada. Nunca. Dei boa educação a elas. Às vezes elas chegavam para mim e diziam: painho, mainha está querendo me bater.

– Voltando no tempo, quando o senhor dirigia o maior Jornal da Paraíba, O Norte. Lembra de nomes de pessoas que o senhor projetou no jornalismo?

– Só tive amigos. Todos eles já eram bons profissionais quando chegaram para trabalhar comigo. Eu mesmo não projetei ninguém.  Eu me juntei a eles.

– E Mariano Estima, como surgiu esse personagem que virou colunista social de João Pessoa?

– Era um frei, do tempo em que eu estudei num convento. Eu liguei para ele: Frei Mariano eu posso colocar seu nome numa coluna aqui no jornal? E ele respondeu: fique a vontade, não precisa me perdi autorização. Eu era muito ligado a ele. Aí aconteceu do nome dele virar colunista.

– O senhor não é visto caminhando cedinho na praia. Faz algum exercício físico?

– A vida inteira fiz exercícios físicos. Sempre caminhei muito no jardim da nossa casa. (Quem conhece a residência dos Goes sabe que o jardim é imenso)

– Marconi Goes se aborrece, tem estresse?

– Não, eu não.

– Conta a lenda que quando as pessoas chegavam numa festa onde o senhor estava com Dizinha, elas que iam primeiro a sua mesa, para depois  chegar até o governado, por exemplo?

– Como você mesmo disse aí, isso é uma lenda. Muitas vezes estávamos numa mesa mais visível e as pessoas que iam passando falavam conosco.

– Como é aquela história do “chaleira”?

– (Risos) Isso vem do Rio Grande do Sul. Comentavam que a turma chegava com a chaleira fervendo para colocar no chimarrão de um general, o chefe superior.  Aí com o tempo diziam: esse aí é um chaleira…

– Naquele tempo as pessoas lhe pediam muito para sair no jornal?

– Algumas pediam para colocar notas de aniversários ou casamentos e eu fazia isso com o maior prazer.

– Gosta de ouvir música? Quem são os cantores preferidos?

– Gosto. Dalva de Oliveira, Ângela Maria. Eu tinha um tio Alcides Goes que era dos Associados e conhecia todos os artistas e me apresentava.

– Dilma será reeleita?

– Até que ela merecia, mas agora tem que mudar.

– Ainda dirige?

– Nunca gostei.

– Nunca pensou em escrever suas memórias?

– É uma pergunta para mim difícil. Eu saí de uma empresa onde sempre vivi. Então, fica ruim para mim escrever. Eu sou como Pelé, deixei pra lá essa parte da minha vida.

– Quem é Marconi Goes?

– Eu conheço ele. Uma pessoa boa, feliz com a família e cheia de amigos. Esse é verdadeiro Marconi que eu conheço!

Relacionadas