segunda, 18 de junho de 2018
João Pessoa
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Vida de camelô: por trás de cada banco uma história de sobrevivência

Lucilene Meireles / 13 de julho de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Os puxadinhos voltaram e eles estão por toda a parte. Camelôs invadem  calçadas, atrapalham a circulação de pedestres e do trânsito, enfeiam as cidades e fazem concorrência desleal com o comércio formal por não pagarem impostos. Porém, por trás de cada banco existe uma história de vida, superação, sofrimento, luta e sobrevivência. É o caso de Luiz Carlos (nome fictício). Antes de montar seu banco no Centro da cidade, tinha um ponto de vender drogas. Hoje, embora na economia subterrânea, ele não alimenta mais a violência promovida pelo tráfico de entorpecentes. Desse ponto de vista, tirar Luiz, Maria e Josefa da rua sem dar uma alternativa, é contribuir para o desemprego e a insegurança.

A Prefeitura de João Pessoa tem consciência disso e, na próxima semana, vai  começar o recadastramento dos comerciantes informais da cidade. O secretário de Desenvolvimento Urbano, Newton Marinho, destacou que não se pode ignorar a atual situação econômica do País e garantiu que cada história será avaliada e que nenhum comerciante será prejudicado.

Enquanto o recadastramento não começa, os ambulantes permanecem em seus ‘pontos’ para poder sustentar suas famílias.  “Me envolvi com drogas, atraído pelo dinheiro fácil. Fiquei preso um ano, três meses e 21 dias. Perdi minha esposa, a liberdade, vi que aquilo não era vida. Hoje tenho uma família, e esse é o trabalho que consegui. Não acho justo quando vêm retirar a gente sem ouvir a situação de cada um”, desabafou Luiz.

“As pessoas podem até achar que estou atrapalhando a passagem, ocupando a calçada, mas preciso fazer alguma coisa para sobreviver. Muitos não entendem que é complicado para um ex-presidiário conseguir um emprego. Eu só quero trabalhar”. Luiz Carlos (nome fictício).

Outro exemplo é da comerciante Girlene Belo da Silva. Depois de ser demitida, não conseguiu um novo emprego e era impossível manter a casa por muito tempo com o dinheiro que recebeu. Mesmo com medo de não dar certo, ela investiu na compra de mercadorias diversas, como pentes e acessórios para cabelos. Todos os dias, tem que recolher os objetos e guardar o banco no antigo prédio do INSS, localizado na Avenida Duque de Caxias.

“Lá dentro, não tem mais espaço para vendedores, mas podemos guardar nossas coisas ao sair. Tem um vigia que olha tudo e cada um dá um valor para ajudar. Minha filha também vive desse tipo de comércio. Ela tem três filhos que sustenta sozinha, porque o pai das crianças atrasa a pensão e eu não tenho condições de ajudar. É difícil, mas é o jeito que encontramos para não passar fome. Peço a Deus para não tirarem a gente daqui”, declarou.

“Vamos fazer um levantamento e uma ação planejada. Será traçado um plano que atenda a todos, sem prejudicar os comerciantes. Estamos vivendo uma crise econômica, as pessoas têm dificuldade de conseguir emprego e procuram uma alternativa”Newton Marinho, secretário de Desenvolvimento Urbano.

 

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