domingo, 09 de dezembro de 2018
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UFPB em busca dos (ir) responsáveis por trote com apologia ao estupro

Bruna Vieira / 20 de julho de 2016
Foto: Assuero Lima
A Comissão de Direitos Humanos da UFPB identificou que o trote que chocou a comunidade acadêmica, por fazer apologia ao estupro ocorreu no curso de Engenharia Química. Ontem, o assunto foi discutido em duas reuniões, com a direção do Centro de Tecnologia e a coordenação do curso. Com a abertura da sindicância, espera-se identificar e punir os responsáveis pela placa “Miss Estupra”. Ações de educação e conscientização serão planejadas para prevenir que outros casos de violência sexual aconteçam. Porém, professores e estudantes afirmam que a cultura do estupro e machismo estão presentes em todos os setores.

O trote ocorreu na última sexta-feira, no Centro de Tecnologia. As novatas eram obrigadas a desfilar com a plaquinha no pescoço, que além da frase “Miss Estupra”, ainda continha gravuras obscenas de genitálias masculinas e femininas. Uma delas denunciou. O coordenador da Comissão dos Direitos Humanos da Universidade Federal da Paraíba, Antônio Novaes está mobilizando setores para um trabalho preventivo. “Em reunião com o diretor do CT, Antônio Vilar, planejamos atividades educativas. Ele se posicionou contra o fato e em nenhum momento banalizou o acontecido. É um assunto extremamente sério. A placa chegou até mim através de um professor do Centro de Educação. Ainda nos reuniremos para saber como ocorreu”, disse.

Antônio informou que o documento formal para abertura de sindicância já foi preparado. E tão logo seja aberta, a autoria da placa será apurada. “Vamos averiguar responsabilidades. Ainda não paramos para avaliar o tipo de punição. Em paralelo, vamos conversar com vários frupos de trabalho sobre direitos da mulher para que promovam as atividades educativas. , ressaltou.

Assédio docente. Margarete Almeida, coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Gênero e Mídia (GEM), revelou que o assédio também ocorre pelos próprios docentes. “Acontece muito que professores digam que só orientam trabalho de TCC se a aluna deitar com ele ou ceder alguma coisa sexualmente. Só que não se fala porque a universidade é tida como campo dos intelectuais, do saber, do conhecimento, das pessoas mais esclarecidas e a gente acha que não existe. Na UFPB, houve um caso de uma aluna de mestrado que chegou até a abandonar o curso por um tempo, quando o orientador quis levá-la para a cama. Só depois de muito tempo ela falou sobre isso. Durante toda a vida acadêmica, tanto como aluna, quanto professora, ouvimos relatos, mas, nenhuma denúncia formal. Há medo, porque eles são autoridades. A aluna acha que não vai dar em nada ou será pior, porque vai ser perseguida ou condenada moralmente”, relatou.

Para Margarete, os direitos humanos têm que sair dos cursos de humanas e ser debatido em todos os setores. “Precisa ser um assunto interdisciplinar. Ter disciplinas em todos os cursos, que abordem as relações de gênero, a cultura do machismo e do estupro. Precisa de debate e socialização. Precisa que haja denúncia, que o medo seja perdido. E precisa também de políticas públicas na instituição. É comum escutar relatos de discentes sobre histórias de relações de poder ou que diminui as mulheres intelectualmente. A partir do dia 27, com o lançamento da plataforma de denúncias, haverá debates em todos os centros da UFPB e nos outros campi”, d

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