terça, 17 de outubro de 2017
João Pessoa
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Taxas altas e falta de acesso a serviços faz casa dos sonhos virar pesadelo

Aline Martins / 27 de julho de 2015
Foto: Nalva Figueiredo
Famílias que não tinham moradias e/ou pagavam aluguel acreditaram que com a conquista da casa própria os problemas acabariam, mas não é o que acontece na prática com os moradores do Condomínio Residencial Vieira Diniz, no bairro Vieira Diniz, em João Pessoa, que estão há pouco mais de três meses no local. Anunciado como um condomínio dos sonhos, perto de diversos equipamentos públicos (saúde, educação e transporte público, por exemplo), vendido pela Prefeitura Municipal da Capital, virou um pesadelo para esses moradores. Além das altas taxas de condomínio, de água e de luz, eles não conseguem ter acesso a serviços públicos, como a unidade de saúde da família e creches. Sem contar na rotina de ônibus superlotados.

O morador Michael Rodrigues, que é funcionário público, precisou de atendimento na saúde da família Vieira Diniz (USF), mas não conseguiu e foi informado de que deveria procurar o seu posto de saúde de origem. “Disseram que não podiam atender os moradores porque a demanda era alta e não tinham condições para atender muitas pessoas. Eles disseram que teríamos que procurar o PSF onde a gente era atendido antes de morar lá”, comentou.

Outra pessoa que não conseguiu atendimento foi o aposentado Rui Bezerra Dantas, que tem diabetes. “Eu tive uma crise e tive que ir para o Hospital Edson Ramalho para poder ser atendido. De vez em quando tenho umas crises e fica difícil se a gente não tem onde pode ser atendido”, lamentou. Além disso, reclamou também da demora no transporte público. Duas linhas (1001 e 104) passam pelo local, mas demoram quase uma hora para passar e quando passam estão sempre lotados, como relatam os moradores.

Creche do bairro não tem mais vagas

Além disso, outro problema enfrentado pelos moradores é a falta de vagas em creches do bairro. A dona de casa Maria Luciene dos Santos, que tem sete filhos, tentou matricular os filhos, mas foi informada de que não tinha vagas.

Mas esse não é só o problema da moradora. A única renda dela é o valor de R$ 450 do programa de transferência de renda do Governo Federal – Bolsa Família – não está conseguindo pagar as contas. “Veio uma conta de água de R$ 1.355 e não vou pagar porque não tenho condições. O que vou comer? Fora isso a gente tem que pagar outras taxas que são altas”, ressaltou, destacando que vários moradores reclamaram que a conta de água veio alta em todos os meses em que estão no local.

Outro problema é a taxa de condomínio que os moradores precisam pagar. Além do valor do apartamento que pagam à Caixa, que varia de R$ 25 a R$ 78, também pagam uma taxa de R$ 85 que é para a administração e segurança do condomínio que é fechado. “Além das contas todas, a gente tem que pagar essa taxa do condomínio. É muito caro. Eu vivo vendendo salgadinhos e aqui nem dá para ganhar muito”, comentou o autônomo Carlos Alberto Carvalho.

SMS garante ampliação

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirma que tem trabalhado para garantir o acesso aos serviços de saúde para os moradores do Condomínio Vieira Diniz. A SMS ampliou a Equipe de Saúde da Família da USF Veneza V e está adequando um espaço físico para que seja instalada mais uma Unidade de Saúde da Família. A direção do Distrito Sanitário I, responsável pela área, informou que os casos de urgência têm prioridade e que a população não está desassistida.

Caixa

De acordo com a Caixa Econômica Federal, nos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida, no caso do Condomínio Residencial Vieira Diniz, a administração do condomínio é de responsabilidade da empresa contratada para o serviço e do síndico eleito pelos moradores.

Sem resposta

A reportagem do Jornal Correio da Paraíba entrou em contato com as duas secretarias responsáveis pelo serviço durante dois dias, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.

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