segunda, 10 de dezembro de 2018
João Pessoa
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Mercúrio encontrado no Rio Gramame pode levar à morte e biólogo alerta para os perigos

Maurílio Júnior / 15 de setembro de 2015
Foto: Assuero Lima
O Rio Gramame clama por socorro. Conforme um estudo desenvolvido pela Equipe de pesquisadores e professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a bacia hidrográfica está comprometida com mais de 29 metais na água, entre eles o mercúrio, em quantidade cem vezes maior que o aceitável, o que pode causar a morte de centenas de pessoas atendidas pelo Rio. “O mercúrio no organismo pode ter consequências graves, inclusive, a morte”, afirmou o biólogo da Secretaria de Meio Ambiente (Semam) de João Pessoa, Cláudio Almeida.

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Responsável por cerca de 70% do sistema de abastecimento d’água da chamada  Grande  João  Pessoa,  o Rio Gramame compreende  os  municípios  de  João  Pessoa,  Cabedelo, Bayeux e parte de Santa Rita, e das cidades de Pedras de Fogo e Conde. Seus principais afluentes são os rios Mumbaba, Mamuaba e Água Boa, caracterizado por uma série de conflitos a respeito de degradação da própria bacia, irrigação; registro de elevado índice de assoreamento do rio principal, atividade industrial, entre outros.

O biólogo Cláudio Almeida explica, ainda, que a poluição do Rio Gramame não é fruto apenas dos resíduos despejados na água. Segundo ele, a problemática está concentrada principalmente nas indústrias que cercam a bacia.

"Não só o despejo de resíduos compromete, mas também os enfluentes industriais em Gramame. Se fosse apenas o lixo, seria altamente factível. A grande problemática é de fato, os enfluentes pesados das indústrias, além da cultura da cana-de-açúcar nas proximidades de Pedra de Fogo e Santa Rita”, disse.

Através da Semam, a Prefeitura de João Pessoa tem feito um estudo no Rio, porém, voltado para os remanescentes florestais que, estão nas sub-bacias dos pequenos afluentes, onde existe uma agricultura familiar, sendo esta para produção local e produção de alimentos orgânicos. “Nossa colaboração tem sido concentrada mais nesse aspecto”, disse Almeida, reafirmando a gravidade do problema.

“A situação em que o Rio se encontra hoje, por ser uma grande bacia geográfica, precisa de ações efetivas, sobretudo, de conscientização junto às empresas industriais, pois o que elas estão fazendo representa um crime ambiental. Há um excesso de material orgânico despejado no Rio. E como fica a população que depende dessa água? Não é pouco, é uma população bem significativa. Não saberia estimar quantas centenas de pessoas dependem do Rio Gramame, inclusive, a cidade de João Pessoa, a partir do encontro com o Rio Mambuaba”, encerrou.

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