sábado, 18 de novembro de 2017
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Longe dos ovos de Páscoa, missa lembra sacrifício de Cristo

Bruna Vieira / 28 de março de 2016
Foto: Lucilene Meireles/Arquivo
A páscoa é aquela data em que o chocolate é o principal presente. Mas, para além dos ovos sortidos, a simbologia cristã comemora a ressurreição do Cristo crucificado. “Ele veio para que tenhamos vida plena e não só eterna, no tempo cronológico. É a plenitude do amor”. As palavras do arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto definem o espírito que levou os fiéis à Catedral de Nossa Senhora das Neves, na manhã deste domingo.

Dona Marta Albuquerque acredita que a missa de páscoa é tão importante quanto as demais. “Eu venho todo domingo. Moro nos Bancários, mas, prefiro vir à Basílica, porque ela é linda. A homilia é muito bonita. Todos os cristãos deveriam ouvir. Não é sacrifício acordar cedo no domingo. É preciso estar com Deus, buscá-lo”, disse a aposentada.

A diarista Ana Maria Alves vai mais além e levou toda a família. “Só tenho uma filha e trago ela para participar. Somos praticantes na igreja São José, em Cruz das Armas. Hoje é um dia especial e fizemos questão de vir à catedral. Tem católico de semana santa, que só aparece uma vez no ano. Mas, uma semana sem missa é uma semana sem Deus. Precisamos dele em nossa vida. A páscoa é a reflexão de que ele passou pela cruz, mas, está vivo. Temos que crer nisso. A vida é só uma passagem”, declarou.

Na crise buscam a Deus

Dom Aldo lembra que em tempos de crise, as pessoas se achegam mais a Deus, só que não é quantidade que a igreja busca. “Estamos longe de querer adeptos, queremos que as pessoas se sintam confortadas. Vejo elas mais presentes nas igrejas, até mesmo as evangélicas, há uma sensibilidade maior. Vimos isso no mutirão de confissões. Sinto as pessoas mais desencontradas, desesperadas, insatisfeitas. Na hora do sofrimento, procuram uma manifestação religiosa, para além da materialidade”, ressaltou o bispo da Paraíba.

“A nossa mensagem é buscar sinais de vida, praticar o bem, seja em grupo de voluntários ou assumindo uma causa pelas crianças, adolescentes, idosos, pela saúde pública, a educação. Ou você ama ou não ama. É preciso praticar o amor ao próximo”, explicou Dom Aldo.

“Cristo se encarnou e assumiu natureza humana. Para os cristãos, a ressurreição é o fundamento da fé nas obras que nascem da fé. Além da morte na cruz, é a certeza da vida plena, de amor e comunhão em Deus. Jesus viu para unir os filhos que estavam dispersos, para restaurar. E superar o mal” – Dom Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba.

Em Campina Grande

 

“Uma vida nova só é possível quando assumimos o caminho da justiça”. Foi o que  afirmou na manhã de ontem, na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, o Bispo Diocesano de Campina Grande, Dom Manuel Delson, durante a celebração da Missa do Domingo de Páscoa. Ele falou sobre a corrupção e a  desonestidade “impregnadas” no país. Para o Bispo Diocesano, a transformação de vida proposta com a Ressurreição de Jesus vem através da honestidade nas pequenas e grandes coisas. “Que nesse período pascal possamos nos deixar ser conduzidos por Cristo, que nos pede para amar e sermos justos”.

Explicando que a Páscoa significa passagem para uma nova vida, o Bispo de Campina Grande  falou da responsabilidade de todos na transformação coletiva. “Uma vida nova só é possível quando assumimos o caminho da justiça. Não é questão de partido político, a corrupção é questão cultural no Brasil. Ela está em todos os partidos e fora deles também, vemos os grandes empresários envolvidos em tudo isso e as pessoas no seu dia-a-dia cometendo pequenos atos de corrupção, sendo desonestas, passando por cima dos outros. É a dimensão econômica, financeira e o poder dominando os valores humanos e tirando a alegria e a esperança do povo”, refletiu.

E continuou: “Mas Deus vai nos dar o dia novo, ele nos mostra o caminho de mudar essas coisas. Que Ele não nos permita cair nesse meio da corrupção, que sejamos honestos nas pequenas e grandes coisas. Que mudemos a nossa mentalidade sobre o respeito ao outro, do que é público, do que é de todos. Cremos que Deus está agindo na nossa história e vai nos mostrar o caminho da justiça, da honestidade. Somos um povo que tem fé!”, concluiu.

As palavras do Bispo emocionaram o aposentado Antônio Araújo, que disse ter sua esperança renovada. “É tanta corrupção, é tanta coisa errada que a gente vê na tv, no trabalho, na vizinhança... mas a gente pode e deve fazer de tudo para mudar. Se somos cristãos de verdade, é nossa obrigação ser justo, ser correto e cobrar isso dos outros, por um mundo melhor”, disse.

O Tempo Pascal se estende pelos próximos 50 dias, indo até o dia 15 de maio, quando a Igreja celebra o Dia de Pentecostes.

 

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