sexta, 28 de julho de 2017
João Pessoa
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Diretora do Liceu Paraibano quer incentivar talento de aluno pichador

Aline Martins / 23 de julho de 2015
Foto: Nalva Figueiredo
Muros recém-pintados, paredes de residências e de escolas públicas ou privadas, além de portas de estabelecimentos são alvos de pichadores. Em João Pessoa, apesar de não ter um levantamento numérico, a Coordenadoria de Patrimônio Cultural da Capital (Copac) informou que 99% das pichações são feitas em patrimônios particulares. No 1% está o Liceu Paraibano. O mais grave é que quem se beneficia do tradicional colégio e deveria zelar por ele, está entre os vândalos. Um estudante da escola foi flagrado pichando as paredes da unidade de ensino. Vale lembrar que pichação é crime. A diretora da escola já identificou o aluno, vai ouvi-lo e, em vez de um castigo, quer incentivá-lo a fazer arte.

Nessa escola, que é uma das mais antigas e tradicionais da Capital, 48 câmeras monitoram o funcionamento da parte externa e interna do prédio. A reportagem mostrou as imagens do estudante à diretora da escola, Telma Medeiros Rodrigues, que identificou no mesmo dia o aluno cometeu esse ato e convocou os pais dele. “Vou conversar com o estudante para tentar entender o que ele queria dizer com o que ele fez. Pode ser alguma coisa em relação a essa violência toda que estamos vivendo nas escolas”, disse, destacando que já fez um trabalho na Praça da Paz, nos Bancários, juntamente com um programa do Governo Federal, que ajudou a transformar o ato de vandalismo em arte.

Em 2012, um projeto das tintas Coral pintou vários prédios da Capital, entre eles o Liceu, mas poucos dias depois, as paredes foram pichadas.

“Temos que saber o que ele pensa disso ou se a pichação é só para denegrir a imagem da escola. Não queremos pressioná-lo, mas sim ouví-lo e dar sugestão do que ele pode fazer, cedendo até um espaço dentro da escola para fazer sua arte”, argumentou a diretora.

Cidade suja

O coordenador do Patrimônio Cultural da Capital, Fernando Milanez Neto, comentou que não há um levantamento numérico dos prédios pichados na cidade, mas é possível verificar visualmente a ação dos pichadores, principalmente na área do Centro Histórico. Ele comentou também que a Prefeitura fará um trabalho de educação patrimonial de convencimento a não deteriorar o patrimônio.

“Estamos tentando fazer um trabalho para que a gente possa fazer um processo de convencimento da sociedade, para se apropriar conosco e denunciar esse vândalos, esses atos de vandalismo as autoridades policiais. Para que a gente possa tomar providências reais para delapidação do patrimônio público e privado”, comentou, destacando que 99% do patrimônio pichado são privados.

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