terça, 21 de novembro de 2017
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João Pessoa e Campina Grande têm 94 corpos sem reconhecimento de parentes

Beto Pessoa / 11 de outubro de 2017
Foto: RAFAEL PASSOS
Gerson Felinto do Rêgo tinha aproximadamente 61 anos, cabelos encaracolados, 1 metro e 65 de altura e era morador de rua. Outras informações sobre sua vida não são conhecidas, pois ele faz parte dos 84 corpos não reclamados que passaram pelo Núcleo de Medicina e Odontologia Legal de João Pessoa (Numol) este ano, indivíduos que morreram e nunca foram procurados por parentes ou amigos. Já em Campina, o número chegou a 10.

Traçar um perfil de quem foram esses indivíduos não é uma tarefa das mais fáceis, visto que a identificação nem sempre é possível, mas alguns sinais indicam a ausência de parentes e amigos reclamando o corpo, destaca a superintendente da 1º Região do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), Gabriella Nóbrega.

“Em muitos casos são indivíduos que perderam o convívio com a família, às vezes moradores de rua, que se afastaram dos parentes próximos. Pessoas que mudam de um Estado para o outro, alguns com problemas neurológicos, enfim, pessoas que de alguma forma perderam os laços e estão sozinhas”, disse.

A difícil identificação dos corpos também explica a ausência da reclamação dos cadáveres. “Esses corpos chegam em diversos estágios, inclusive completamente ossificados, popularmente conhecido como ossada. Outros estão em decomposição, não conseguimos identificar o sexo. Esperamos algum familiar entrar em contato, buscando informações de um parente desaparecido, mas nem sempre são buscados”, explicou Gabriella Nóbrega.

O IPC-PB recebe corpos oriundos de morte violenta, ou seja, todo aquele falecido de causas não naturais, como assassinato e acidente de carro, por exemplo, mas também registra os cadáveres não reivindicados por familiares. Nestes casos, o corpo recebe uma enumeração, onde são registradas todas as informações possíveis daquele indivíduo, a partir de fotografias e reserva de material genético.

É dado um prazo de 30 dias para que o corpo seja reclamado. Caso contrário, ele fica apto para ser enterrado em uma das covas públicas da cidade ou doado a uma faculdade ou universidade cadastrada junto ao IPC. Neste caso, antes que a doação ocorra, é comunicado em um jornal de ampla circulação, em três dias alternados, o falecimento do indivíduo.

Este será o caminho de Gerson Felinto do Rêgo, morador de rua falecido no último dia 26 de agosto, no Hospital Padre Zé, em João Pessoa. Sua morte já foi comunicada em jornal de ampla circulação e, caso não seja lembrado, deve ser doado para uma instituição de ensino nos próximos dias.

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