domingo, 20 de maio de 2018
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Estudos confirmam que poluição é veneno para o coração

Ainoã Geminiano / 16 de setembro de 2016
Foto: Rafael Passos
O gatilho para uma doença cardiovascular fulminante está onde muita gente não imagina: o ar poluído. A ciência já comprovou que inalar a poluição do ar, principalmente a que vem da queima de combustíveis fósseis, utilizados pelos veículos, causa doenças como arritmia cardíaca, infarto e AVC. Estudos também comprovam que o uso de máscaras pode reduzir ou até anular esse risco. Por outro lado, são poucas as cidades consideradas grandes, que se preocupam com o controle da qualidade do ar. João Pessoa, por exemplo, sequer tem um sistema de medição desse parâmetro.

Carlos Roberto Silva dos Santos, tem 48 anos, 30 deles trabalhando como frentista de posto de combustíveis, em contato com a fumaça dos carros que circulam no pátio do posto e dos que passam na rua, uma das principais do Centro da Capital. É uma vítima potencial de doença cardíaca, porque soma o risco do ar poluído ao fato de estar acima do peso, não praticar atividades físicas e há cerca de 10 anos não vai ao médico. “Sei que essa poluição não é coisa boa, mas não sabia desse perigo específico para doenças do coração. Vou aproveitar as próximas férias pra fazer uma check-up geral”, disse. Embora tenha máscaras com filtro de ar à disposição, nem sempre Carlos usa a proteção.

O auxiliar de serviços gerais Antônio Azevedo, de 58 anos, já sabia que a poluição afeta o sistema cardiovascular, desde que integrou a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), quando trabalhou na indústria. “A cada mês eu faço a limpeza na fachada de vidro do meu trabalho (no Centro da Capital) e retiro uma crosta preta, formada pelo material que é expelido no escapamento dos carros. Quando chego em casa e limpo o rosto, vejo quanta poluição está na pele. Por isso não relaxo no uso de uma máscara”, contou.

Segundo o cardiologista Helmam Campos, chefe do Sistema Cardiovascular do Hospital Universitário Lauro Wanderley, o ar poluído com a queima de combustíveis possui micro partículas sólidas e tóxicas, que são absorvidas pelas vias respiratórias e causam inflamações nos vasos sanguíneos. “Esse processo inflamatório favorece a ruptura de placas de gordura, provocando obstrução dos vasos, o que resulta em infartos, doenças vasculares cerebrais, arritmias e outros males, que podem levar o indivíduo à morte”, disse.

Segundo Campos, não é necessário longos períodos de exposição ao ar poluído para que estar sujeito ao risco. Basta um ou dois dias por semana para que o organismo sofra com a ação dos poluentes. “É um risco também para as pessoas que praticam atividade física em locais com muita concentração de poluentes. Se por um lado o corpo está recebendo os benefícios da atividade física, por outro está sendo afetado pelos ar poluído”, acrescentou.

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