quarta, 21 de fevereiro de 2018
Educação
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Ideb ‘tolera’ ensino ruim e tem dois pesos e duas medidas

Bruna Vieira / 10 de setembro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica mostra a situação contrastante das escolas públicas. Em João Pessoa, a que teve nota mais baixa tem problemas estruturais, falta professores, aulas vagas e alunos envolvidos no mundo do crime. No entanto, a cobrança é diferenciada. Para o Ideb, a meta a ser atingida é menor nas que já estão ruins. Há tolerância maior do que com as que apresentam maior desempenho, onde a meta exigida é mais alta.

O portão principal está interditado porque corre risco de cair. As telhas apresentam problemas, algumas janelas também podem desabar. Nas paredes, a pintura desgastada. Muito mato no interior da escola, ferro velho na calçada. A quadra para aulas de educação física é uma parte do terreno, sem qualquer cobertura. Na administração, os armários enferrujados.  E às 10h de ontem, já não havia nenhuma turma assistindo aula, porque os professores estavam resolvendo problemas ou em congresso. São oito salas, mas, uma não funciona. A lista de problemas na Escola Estadual Raul Machado, na Ilha do Bispo é imensa. Mas, essa não é a única explicação para o 1.9  no Ideb, bem distante da meta 3.5.

Segundo o diretor Irenaldo Medeiros, há fatores externos. “Assumi a gestão há 15 dias e estamos resolvendo os problemas, que são vários. Não tem professor de arte; alguns estão com problemas de pagamento; não temos biblioteca; nem todos os computadores funcionam. E ainda tem a questão social. Não adianta o aluno comer na escola, se não tiver alimento em casa. A violência é uma realidade. Sabemos que há alunos envolvidos com tráfico, assalto.... Na próxima avaliação estaremos melhores”, declarou.



"Fica fácil aprender porque a professora ensina bem. Quando estou em casa, sinto vontade de vir para a escola", declarou Júlia Minôr, estudante do 5º ano.

Sem faz de conta

A Escola Municipal Dr. José Novais é a prova de que comprometimento dos profissionais pesa mais que o local onde está inserida. Na periferia da cidade, todo ano reúne fila de pais querendo matricular seus filhos. Com meta 6.0 no Ideb, ela atingiu 7.3, acima do esperado e desde a avaliação anterior, em 2013, se mantém como a melhor da capital. O espaço é pequeno, mas tudo é aproveitado. “Aqui não tem faz de conta”, explicou a vice-diretora, Valéria Simonethe.

Realidades diferentes

A secretária interina de Educação de João Pessoa, Edilma Ferreira, disse que cada melhora é comemorada. “As escolas são trabalhadas de acordo com o grau de dificuldade. São metas diferentes para cada realidade, mas, cobramos em todas. Se atinge a meta, ela aumenta, para que melhore e isso é comemorado, porque está ascendendo”, disse.

 

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